O maior volume de dinheiro que circula pelo mundo é devido à indústria farmacêutica e a segunda é a do turismo. Muitos bilhões de dólares voam pelo mundo na bagagem de viajantes de seus lugares para todos os outros. O turismo está caracterizado como o mais importante fator social de mudança que o mundo apresenta hoje. Contudo, assentado em tanto dinheiro, não admira que seja assim, e nem que Gramado desfrute o momento de maior opulência de sua história.

A endinheirada voracidade da avalanche turística, descarregada sobre os atuais habitantes de diversas cidades do planeta, está reunindo sofisticada forma de lazer com poderosas ondas de rancor. Por isso, a turismofobia virou triste moda em, até então, consagrados e orgulhosos destinos procurados para especiais momentos de alegria e prazer.

Em Barcelona, Veneza e Amsterdam, por exemplo, os visitantes muitas vezes são hostilizados de forma explícita, merecendo até passeatas em repúdio à sua presença. Então, perplexidade e desencanto desfilam junto com habitantes organizados em defesa da identidade de sua terra e do direito de nela viver livres de atropelos e desordem.

O destino, nesse sentido, mais odiado é Amsterdam, que conta com 850.000 habitantes e recebe, por ano, 20 milhões de estranhos; Gramado tem 35.000 e recebe mais de 6 milhões de visitantes. Com vemos, o peso que está esmagando essa capital, não é maior do que aquele que está ameaçando Gramado.

Nas discussões que correm entre analistas gramadenses livres de pressões políticas ou empresariais, há franca compreensão de que os poderes públicos e comunitários não estão percebendo bem o perigo que nos ameaça. Esquecem, ou não procuraram em nossos registros históricos, que foi devido a um descaso assim que na década de 1940 Gramado entrou em falência.

 

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