Gramado, em seus grandes dias, fica abarrotada de gente e carros. Alguns reclamam porque antigamente não era assim, outros porque atualmente não deveria ser assim e ainda outros trovejam entusiasmadas alegrias.  E o pobre do prefeito tem que conciliar o sono embalado por essas ferozes contradições. Pois, cumprindo minha obrigação de cronista dedicado à Gramado, quis saber a respeito dos quadrantes de onde brotam tantos contrastes.

Ouvi, então, que a primeira causa é de natureza econômica. Os empresários se rejubilam quando a cidade entope, porque o movimento das ruas compactadas por tantos carros representa, ao mesmo tempo, calçadas ocupadas por visitantes potencialmente interessados em comprar alguma coisa, comer em algum lugar, dormir em algum hotel. Também como oportunidade de levar alguma lembrança daqui, para poder mostrar a seus amigos que esteve em Gramado, famosa cidade da qual tanto se fala e onde tudo é caro porque tudo é bonito – deixando suave exibição de que não está assim tão mal de vida.

Outros, irritam-se com a lentidão do trânsito, esbarram nas pessoas que passeiam pelas calçadas, despejam profano vocabulário, gastam até o último suspiro de seu bom humor. São aqueles que nada ganham, por nada terem inventado como ganhar. Lamentam não terem a seu dispor espaço para transitar seus próprios carros, desfrutar os lindos espaços urbanos que, geralmente, não ajudaram a construir. São, enfim, a parte medíocre de nossa economia turística.

Outros, ainda, rejubilam-se com a glória de aceitação nacional dedicada a uma cidadezinha do tamanho da nossa, que possui tantos visitantes anuais quanto a imensa cidade do Rio de Janeiro. Certamente, alguma coisa diferente e importante conseguimos construir em um século de trabalho. Quanto a isso, são indefinidas as forças e as vontades que atuaram nesse tempo todo, mas não há como não se orgulhar do resultado. Desfraldam a vontade de fazer parte dos construtores das virtudes gramadenses atuais.  

As pessoas que rançam a perda do que não conseguiram ter, constituem uma minoria que procuramos carinhosamente afastar do egoísmo, convidando-os a ajudarem a resolver as dificuldades que temos e a melhorar o que já temos de bom. E a melhor forma de convencê-los é informar o que, pessoalmente, estamos fazendo pelo nosso lugar.

 

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