Por aqui repete-se mais um outono, lindo como sempre e esperança de muitos lojistas, entediados por verem seus produtos não saírem da vitrine.

Gramado, brilha ao colorido das roupas pesadas de visitantes de todas as partes, evidenciando-se como centro turístico do país. Todo passeador normal gostaria de estar misturado com as flores e o cenário sonolento da Natureza, conformada com a extravagância dos que pensam que ela diminui seu interesse em mostrar-se bela. E pede a seus cronistas que repitam seus discursos em defesa dela.

Então, quando aparecemos na televisão, em nossas ruas principais sempre são observados braços de árvores debruçando-se sobre quem passa. Carícias coloridas, oferecem boas-vindas, em nome da moldura natural que constitui  a principal riqueza do lugar.

Uma vez por ano essas árvores batem queixo de medo dos tesourões que podem lhes encolher os braços e transformá-las em caricaturas deformadas e repulsivas. É a contragosto, mas suas boas-vindas são de tristeza e clara decepção. Elas torcem para que ninguém note, pois do contrário poderão funcionar não como atrativos, mas como espantalhos, porque sabem que é peculiar às viajantes darem valor a tudo que diz respeito ao meio ambiente.

Ainda bem que já estamos mudando o entendimento sobre a questão: afinal tantos anos de trabalho, idealismo e dinheiro público foram necessários para que tivéssemos a bela arborização citadina que temos agora. Uma lei municipal deu-lhe proteção contra as podas anuais sistemáticas e desnecessárias. A imensa maioria dos moradores de Gramado está gostando da diferença, técnicos de fora vem aprender como conseguimos essa façanha, até então só admitida por Porto Alegre.

Infelizmente, alguns conterrâneos estão demorando a compreender os benefícios de simplesmente orientar o crescimento de uma planta antes do que decepá-la radicalmente.  Esperamos que pensem no assunto, pois desgalhar as árvores da frente de sua casa só porque assim seu avô fazia, parece pouco elogioso a quem morreu pensando que seu descendente haveria de aprender alguma coisa a mais. 

 

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