As celebrações ao Coelhinho da Páscoa são movidas pelo perfume do chocolate que adorna os ninhos das crianças. Sua grandiosa e sensível pureza tem, ainda, notável grau de originalidade e compaixão, porque nascer todo mundo nasce, mas ressuscitar apenas um conseguiu. E é também notável que ele não se interessa pela morte ou pela cruz, mas pelo esplendor que a ressurreição carrega.

Os festejos que o Coelhinho resolveu chamar de Páscoa, prima pela suavidade que enche seu coração. Não tem gritaria ou poluição visual nas festas que ele prepara, senão passos organizados de momentos delicados e de bom gosto artístico, gerando tempos de meditação no lugar de libertados episódios de euforia. Sua franca voz de aleluia acorda espíritos derrubados por contradições, que não são dadas aos seres humanos compreender. Com isso, muitas consciências ressuscitam junto, abrindo-se para a paz da esperança.

Além de tudo isso, o Coelhinho é compreensivo e dado a respeitar os desejos alheios. Em Gramado, que ele escolheu como lugar para distribuir chocolate a todo mundo que aparecer, alguns dizem que ele atrapalhava os movimentos dos automóveis, provocando desconfortáveis congestionamentos. Em compensação, espalhou pelo ar o cheiro dos primeiros perfumes do outono e, pelos matos, as barbas-se-pau para a criançada preparar seus ninhos. E deixou os corações de nossos empresários sacudidos pela ânsia eufórica de suas espaçosas algibeiras.

O formato da moderna festa que essa suave criatura organizou em Gramado, deixa todos os filhos da terra agradecidos e orgulhosos. Pelo modo com que vestiu as ruas da cidade mostrou que somos palco de muitas e diferentes iniciativas belas e grandiosas, cada uma contando com sua própria originalidade.

Então, mais do que nunca, e apesar dos desconfortos morais que oprimem as expectativas que temos quanto ao futuro de nosso País, o Coelhinho de Gramado, está oferecendo a doçura do chocolate, o sorriso das crianças e o infinito conforto que brota da ressureição de Jesus Cristo.

 

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