Já escrevi que Gramado é uma cidade aberta para o dinheiro e não para a cultura. Porém, estou tendo fortes razões para mudar de ideia, submetido às influências da 4ª edição do “Gramado in Concert”, recém findo.

É que esse evento já conseguiu se instalar como sólido ocupante da consciência afetiva e das ambições empresariais de Gramado. Desde sua 3ª edição saiu dos palcos teatrais exclusivos e foi se derramar por escolas, hospital, núcleos comunitários, praças, esquinas. Sob rígidos controles de qualidade e de oportunidade, a música erudita foi oferecida a todo o povo. Mas, para obter a idoneidade de chegar à população em geral, o evento precisou, em duas ocasiões anteriores, se consolidar segundo méritos e riscos exclusivamente seus, porque Gramado tem um nome a preservar.

Esse festival de música tem força própria e acima de qualquer avaliação financeira. Sob avaliação numérica superficial: o Natal Luz tem orçamento de perto de 35 milhões e o Gramado in Concert, 600 mil. Assim mesmo, principalmente pelos meios virtuais, percorre caráter internacional e de distinção que o Natal Luz não tem. Por esse motivo, surge como complemento de excelência que está beneficiando todos os demais eventos realizados na cidade.

Talvez pela finura de sua essência cultural esse fórum musical está tendo  incursão exemplar nos procedimentos administrativos praticados no município. As duas últimas edições, conduzidas pela nova administração, é rigorosamente continuação do que havia antes, alimentada por acréscimos oportunos e inteligentes. Pude testemunhar, graças ao meu modesto envolvimento no evento, que equipes de dois Governos diferentes atuaram como se fossem uma só, trabalhando com entusiasmo a favor de uma causa que é de todos.

Nesse sentido, deixo minha admiração e respeito ao vigor institucional da Secretária Rúbia Frizzo e ao prefeito João Alfredo Bertolucci, além da consolidação histórica de Rosa Helena Volk e Alan John Lino como os criadores formais desse acontecimento. Ressalto que entusiasma ver como esse mundo de música, caminha cheio de refinada graça,  em direção à construção de um estado de cultura destinado a melhor qualificar a cidade que não cansa de alimentar sua inquieta juventude.

 

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