Quando a cidade esvazia, os cronistas ficam batendo cabeça em busca de assuntos novos e acabam ancorando – e fazendo justiça – naqueles que já ficaram velhos. Assim, para que a gente não fique pensando que Gramado em algum tempo deixou de ser bem cuidada, é justo homenagear os beneméritos que tivemos em cada época. Assim, Leopoldo Rosenfeld, o pai do nosso turismo, volta e meia viajava para a Alemanha, País de seus ancestrais. Lá, gostou do tipo de cipreste que constituía a famosa Floresta Negra. Ocorreu-lhe disso, que Gramado, então o 5° Distrito de Taquara, onde ele morava, poderia ficar famoso a custa dessa árvore, que não existia no Rio Grande do Sul. E num de seus retornos, trouxe sementes dela no fundo de sua mala.

Dada a semelhança de clima entre Gramado e a Floresta Negra, as sementes que foram plantadas, logo na chegada, brotaram com entusiasmo e as mudas, espalhadas pelos quatro cantos do lugar, cresceram rapidamente e desenharam um cenário único no mapa brasileiro: em nenhum lugar do Brasil havia tanta criptoméria por metro quadrado.

O apelidado de pinheiro alemão, impressionava pelo seu porte, alto e retilíneo, compondo, em pouco tempo, o último andar da paisagem gramadense.

Embora vicejando em qualquer canto de quintal ou de terreno baldio, a grande árvore adquiriu fama especial perante os turistas porque virou artista do Lago Negro e deleite da população porque fez a frente dos cemitérios. Pelo Lago foram fotografados milhões de vezes e não menos chorados como espectadores de tantos enterros.

Mas o grande tamanho deixou de ser seu orgulho, para ser sua ruína. No lugar de casas de moradia Gramado passou a querer prédios de apartamentos, e tais pinheiros ocupavam os espaços que eles precisavam. E, como um apartamento vale muitos pedaços de Floresta Negra, os pinheiros alemães foram riscados do mapa gramadense, sobrevivendo apenas na volta de algum cemitério ou no entorno do Lago Negro, onde ainda sobrevivem graças a imortais saudades. E, enquanto prédios vão incansavelmente ocupando seus espaços, sobra apenas gratidão por quem cumpriu tão bem seu papel, dentro da época histórica que lhe foi reservada.  

 

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