Os textos de auto ajudada dizem todos a mesma coisa, apenas mudando as figuras e a atualidade dos motivos que usam. Não lhes podemos tirar os méritos porque eles conferem confortantes momentos de descoberta daquilo que já sabíamos. E o fato de que logo deles nada lembramos fica como reflexão para futuro incerto, sem data para acontecer.  Contudo, só a repetição conduz à excelência.

Por isso, penso que não há muita coisa que acrescentar ao que passa pela cabeça das pessoas nas vésperas de cada Ano Novo, pelo que constatamos nos documentos a respeito publicados nos antigos cartões de Boas Festas ou nas artísticas, saltitantes e sonoras mensagens virtuais espalhadas pela Internet: invariavelmente, todas repousam na solidariedade, tomando Jesus Cristo como patrocinador e o 1º de janeiro como mágico de um benigno porvir. Contudo, só a repetição conduz à excelência.

Porém, para muitos, em determinado tempo, essas insistentes repetições deixam de refletir tempos que se apagam e sim o significado que sempre quiseram ter: incansáveis tentativas de deixar algo escrito em nossos corações. Quando assim acontece a repetição perde a melancolia e se transforma em cartilha perfeitamente compreensível e destinada, exclusivamente, a cada um de nós.

No meu caso pessoal, a linguagem dos usuais pronunciamentos de fim de ano me fez abandonar o chapéu de pedinte de benefícios pessoais ou de pessoas em cuja felicidade estou interessado. Em lugar disso, agradecer o que de bom tenho recebido e aquilo de bom que continuarei recebendo, se me fizer digno de novos presentes. E, para isso, quero pendurar minha vontade à repetição.

Então, como base testemunhal de meus propósitos, vou amarrar no tempo, que para mim for se apagando, sinais daquilo em que eu conseguir ir mudando. Mas, no caso de esses sinais não serem perceptíveis, continuarei preso ao lugar comum contido nos propósitos genéricos que envolvem os festejos de fim de ano. E, para começar, mudei em alguma coisa durante as primeiras semanas de 2018? Se não, nada posso esperar do novo ano que começa, porque o que começa mal, costuma terminar igualmente mal.

 

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