Pessoas estranhas ao nosso ciclo de convívio ou feridas por razões que só elas podem entender, ocultam motivos que prejudicam a cidade sem que sobre eles podemos interferir. O melhor exemplo é superlotação de carros em certos momentos festivos que construímos. Somos vítimas da epidemia automobilística que assola o Brasil e que santificou o automóvel acima de todos os motivos. Outro, é a chegada de gente de toda parte que buscam Gramado para se aproveitar de sua notoriedade, ou mesmo honestamente conseguir melhores condições de trabalho. Além disso, atualmente estamos tendo que lutar contra um novo espantalho: os turistas de má conduta.

Chegam eles com dinheiro no bolso e o sentimento de que, por isso, podem se instalar como donos do pedaço. Empresários, sobretudo os que atuam no centro, baixam a cabeça e sorriem como vendilhões inocentes; alguns até estimulando, interesseiramente, surpreendentes distorções de comportamento de seus clientes. Foi assim que, recentemente, nossa cidade atingiu o ápice da vulgaridade e a perigosa iluminação de seu declínio como destino turístico. E quem estuda a ciência turística tem levantado dados que comprovam que é, bem assim, que começa o fim de um lugar como centro turístico importante.

A consequência comprovada de um estado de desordem igual a esse, é a proliferação dos mencionados turistas de má conduta. E como a desordem que criam é publica funciona como estimulante para outras adormecidas más condutas, guardadas por empresários, investidores ou até dirigentes públicos, que se deixam anestesiar pelos confortos da impunidade e pela desculpa de que hoje as coisas são assim mesmo.

Felizmente, esses perigos estão sendo confrontados pelas forças vivas e pela administração pública do município. Então, manifesto minha inabalável confiança de que ainda não será dessa vez que Gramado vai cair, como aconteceu na década de 1940.

 

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