Devido a um senso comunitário ainda não compreendido Gramado atingiu muito elevado patamar de sucesso na prática da indústria turística. E isso acabou gerando sérios problemas administrativos, tanto referentes ao poder público quanto aos empreendedores particulares.

Ao longo dos anos as estratégias de trabalho empregadas pelo município foram sendo aprimoradas em tal ritmo conceitual que um empreendimento, em sua origem, já ia sendo construído com base em sua própria expansão quantitativa e qualitativa. E uma ameaça, nunca desconhecida mas sempre protelada, ficou esperando até o momento em que não pode mais ser ignorada: Gramado não tem um espaço territorial infinito.

Esse risco que terminou muitos destinos turísticos no Brasil e em outros países, e que pode ser chamado de “overbooking turístico”, ou mais gente sendo colocada num lugar em quantidade maior do que nele cabe. Então, a primeira coisa que acontece é a perda da qualidade e a segunda é a paciência dos visitantes que começam a não aparecer mais. E esse é o caso típico de Barcelona onde foi inventado o termo turismofobia.

Pois, essas duas enfermidades também atacaram o pequeno espaço central de Gramado. A diferença é que aqui as dificuldades não são deixadas para amadurecer, são enfrentadas logo que aparecem. Às vezes, a cura demora, como aconteceu com o fim da panfletagem e a obstrução de nossas paisagens por agressivas placas de propaganda. E a verdadeiramente constrangedora desordem havida no centro da cidade durante o Festival de Cinema e no feriadão seguinte, gerou um grupo de trabalho, presidido pelo prefeito João Alfredo, com a finalidade urgente de inibir a inimaginável chegada da turismofia a Gramado.

Na luta pela reorganização de nossos eventos é necessária a participação da comunidade empresarial, nesses casos erroneamente fixada demais em lucros imediatos. Na verdade, o sucesso gramadense por tantos anos dependeu de viver o presente com intenção de preservar o futuro. E todos nós esperamos que eles sejam agentes de preservação da qualidade que nosso turismo tem, e não de pouco brilhantes e lamentáveis suicidas.

 

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