Na época em que ainda se respira o ar de um dos mais conturbados Festivais de Cinema   já havidos em Gramado, o Márcio das Flores e seus assistentes repousam no bem compensatório que suas flores estão trazendo a tantos espíritos, estropiados pela descarga de água propiciada por um inverno que perdeu o juízo e desenhada em traços que pouco tem a ver com o restante de nosso fervilhante Brasil.

Nesse tempo, em que Gramado é amplo jardim primaveril, a cidade expõe sua intimidade. O capricho dispendido nas preparações, que tiveram de se adaptar a tempos invernais, submetidos às esdrúxulas explosões temperamentais de São Pedro, resultaram na abertura de caminhos que levaram a cenários e recantos que não existem em qualquer outro lugar. E o que mais se destaca em tal cenário é a maravilha decorrente de tantas flores, depositadas harmoniosamente por todos os cantos e canteiros citadinos. E esse imenso tapete, segundo dados que me dei o cuidado de colher recentemente, foi o mais cândido presente concebido aos visitantes que não se cansam de confiar em nossas belezas.

Desde o tempo em que a imortal Irma Peccin, semente de todas as flores que enfeitam e enfeitarão Gramado para sempre, juntava suas amigas para plantar flores nos canteiros públicos de Gramado, não se via alguém tão motivado para adornar a cidade, desse modo, quanto Márcio Potratz, o servidor da prefeitura encarregado da tarefa.

Gosto muito de repetir que mesmo não atuando mais na fase romântica de Gramado, senão àquela do rigor artístico e econômico, Márcio depositou sobre suas flores o recatado preciosismo de um terno e inocente afeto. O girar dos ciclos que constroem a história gramadense levou tudo que havia antes da primavera, menos a teimosia de renascer guardada nos botões de flores, cuidadosamente protegidos. Agora, crescidos e esparramados por toda parte, oferecem-se, como graciosa companhia particular às nossas visitas e também aos gramadenses que sentem saudades do que fomos ontem, e dos que sentem orgulho do que somos hoje.

 

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