O quadro político e econômico do país balança entre a vergonha e o pessimismo. Quanto à vergonha nada se pode fazer, porque muitos dela tem muito, e outros dela não tem nada, de modo que essa é uma casualidade pétrea. Mas o pessimismo é um estado de espírito que acompanha quem costuma ver os fatos pelo seu lado negativo e, desse modo, projeta o futuro em forma pior do que ele realmente poderá ser.

O pior companheiro do pessimismo é o derrotismo, o navegar no barco do não vale a pena. Esse desanimado princípio, primeiro é estendido a fatos distantes, tais como a desastrosa imoralidade que varre Brasília. E como individualmente nada podemos fazer com o que acontece por lá, há quem se deixa dominar pelo desencanto e, por causa dele, intimida as iniciativas que as oportunidades vão  oferendo nos dias comuns de sua vida. Mas, será que esse rio de água morna está afogando Gramado?

A dúvida decorre do costume que os gramadenses têm de nunca beber água no ouvido de ninguém. Nossos brios se recusam a fazer parelha com as imoralidades político-empresariais de que tomamos conhecimento a cada dia que passa, e que se revelam nos mais inesperados setores das atividades nacionais. Tal proceder resultou num carimbo de virtude que encheu Gramado de benefícios, mostrando que acabamos, meio sem querer, sendo mais inteligentes do que virtuosos.

Os desonestos, que frequentam nossa paróquia, são descartados de nossas estatísticas para não azedar o conjunto que tanto se esforça para gerar otimismo através de bons resultados, mas, essa mesma estatística mostra que eles são minoria, espantados pelos próprios fracassos. E o resultado disso, é que enquanto o Brasil, no ano passado, teve um PIB mínimo ou decrescente, o de Gramado cresceu 8%. Orgulhosamente o prefeito João Alfredo, em pronunciamento público, comparou o desenvolvimento de Gramado com o que ocorre na China. E esse desenvolvimento, contra o oposto que assola o Brasil, acontece porque não costumamos ter efeitos secundários deletários ao consumir o remédio do otimismo.

Mas, o apogeu que Gramado vive hoje, levanta nuvens de grande apreensão porque a expansão das atividades atuais, embora sendo fieis a manutenção da qualidade, está ameaçando ser maior do que nosso tamanho. Contudo, estamos trabalhando para que “a cidade tenha turistas, mas que os turistas não tenham a cidade”.

 

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