Para iluminar as esperanças de empresários de todos os tipos, nos últimos tempos, Gramado vista de cima, aparece como enfezado formigueiro. E o formigueiro é uma bem desenhada mistura de gente, cores e carros, aparecendo o arvoredo das ruas como espectador paciencioso e incansável. Ao lado disso, a vitalidade desse conjunto é permanentemente sacudida por gritos que vêm da terra, de onde prédios se levantam em direção ao céu. Das alturas, a visão é de contagiante alegria, mas no meio do burburinho, se esgueiram ulcerativas preocupações.

Os gramadenses são adocicados pelo lado bom de tudo que enxergam ou pensam, sendo essa a principal fonte de seu vigor, e as multidões que a eles se aconchegam fazem o confortável pulso de seu destino. Sob a coberta do afeto brilha o propósito de trabalho qualificado e dinheiro no bolso, quanto mais melhor. Porém, os antepassados que decidiram fazer a cidade viver à custa da indústria turística, foram de imortal competência, porém, em dado momento, perderam-se em suas glórias e Gramado, de principal centro de veraneio do Rio Grande passou a ser “um lugar onde nada vai para a frente”, conforme deixaram escrito as lágrimas de sua história.

Quase cem anos depois, as ameaças que construíram a desgraça do município na década de 1930, ficam claras com extraordinária rapidez, a cada nova e megalomaníaca investida empresarial, banhadas em dinheiro posto à disposição por conglomerados hoje predominantemente internacionais. Um lado positivo disso é o conteúdo distinto e diferenciado da maioria dos projetos apresentados, e outro é a disposição que temos de, como gramadenses ativos, proceder de modo eficiente e contemporâneo às conveniências de um destino turístico construído com tanto acerto. Não queremos que uma desgraça histórica caia duas vezes no mesmo lugar.

Muitos aspectos positivos poderiam ser listados justificando os motivos que constituem o apogeu que Gramado hoje vive. Porém, apenas uma visão conjunta do que somos mostrará que acrescentamos aos motivos bucólicos, que a Natureza nos deu de graça, uma ordenada, eficiente e elegante infraestrutura urbana. Pois, é exatamente o crescimento ordenado dessa infraestrutura que as forças vivas, que respondem atualmente pelo município, estão tomando como tarefa prioritária de sobrevivência.

 

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