Pode parecer estranho mas A Festa da Colônia de Gramado não busca valorizar a terra mas prestigiar o colono. Então, fazemos, de suas comoventes e belas figuras, carregadas de suor e terra, o abrigo de nossa mais íntima gratidão, o quadro mais real daquilo que nunca queremos mudar. E cada carroça que desfila põe a brilhar a lembrança daquilo que sonhávamos ser e daquilo que conseguimos ser, revivendo as almas saudáveis que, com tanta atenção, olhavam para o futuro.

Curioso como somos contagiados pela alegria simples que vemos nos trabalhadores da roça executando atividades de profissionais da cidade. Nossos preocupados sentimentos se misturam com eles, tanto por afeto quanto por herança e ficamos emocionados, e até com vontade de ajudar para melhorar sua falta de jeito em executar tarefas a que não estão acostumados. É que, em cem anos, cada gramadense não abriu mão de ser colono todos os dias.

Na verdade, o apego que temos aos colonos que ainda trabalham o interior do município, é a forma original de nossa certidão de nascimento. Se deixarmos o amarelo das modernidades artificias contaminar esse documento, vamos desaparecer no amarelão de nossa própria identidade cultural. Mas contra o espaço que vão perdendo os trabalhadores e as trabalhadoras da terra respondem como figuras que primam pela originalidade e não pela quantia – um colono andando pela rua, valoriza a paisagem mais do que um punhado de turistas. 

É bonito ver o colono desfilar sua dignidade de dono da casa, da terra e tudo mais que nela existe. Sua postura confiante irradia serenidade e compreensão de seu destino, ao contrário de muitas celebridades que vêm buscar o abrigo da Rua Coberta para satisfazer suas minúsculas vaidades. E, se eu não fosse colono também, diria que o colono de hoje é a pessoa que melhor conserva os atributos de honra, honestidade e inocência que as gerações passadas plantaram por aqui.

Sendo assim, é verdadeiramente emocionante ver  colonos e colonas integrados aos festejos da prosperidade gramadense, esbanjando imortais fragmentos da dignidade que o tempo não conseguiu apagar.

 

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