Edição Nº 464 - 08/10/2015

08/10/2015

Crônica

Romeo Ernesto Riegel

Romeo Ernesto Riegel


Professor

Leia os COLUNISTAS

 

Tela Tomazeli - O novo Complexo da Villa Sergio Bertti

Ana Romani - o baile de Debutantes de Caxias do Sul

Adriano Cescani - Centro de Ensino de Arte Floral / Smart! Lifstyle + Design / Alumiglass

Pe. Ari Antonio da Silva - A Espiritualidade do “Dom” ultrapassa nossa finitude histórica

Romeo Ernesto Riegel - Os caprichos do mês de setembro - Ainda bem que terminou

 

E-mail do colunista: riegelre@via-rs.net

O conteúdo da coluna assinada assim como as imagens é de responsabilidade do colunista.

Crônica

Romeo Ernesto Riegel

Romeo Ernesto Riegel


Professor


Os caprichos do mês de setembro

Ainda bem que terminou: setembro é o mais saliente ocupante do calendário. Servindo-se de razões graves e antigas ele ele faz de tudo para aparecer como um fragmento anual cheio de originalidades. Seu imprevisível comportamento climático é a fonte de seu destaque, que o povo cobre de pragas ou bênçãos. E no sentido de influir no comportamento das pessoas ele se gaba de ter participado ativamente na determinação dos destinos do Brasil, pois  foi quem deu coragem a D. Pedro para puxar a espada e a Bento Gonçales a encilhar seu cavalo e, demostrando fidelidade à Sepé Tiarajú, confirmar que o Rio Grande do Sul é uma terra que tem dono. 

Na verdade, a consagração da vaidade setembrina é tão intensa – e tanto quanto sádica – que o mês só completa seus anseios quando atige a população inteira, pregando a democracia de que o bem é dádiva a todos, assim como o é a desgraça – pena que o bom ele deixa para os outros meses.

Então, para que ele não cubra de calúnias esse humilde cronista, busco nos arquivos alguns episódios pitorescos ocrridos  em setembro de outros anos. Faço assim por conta da nobreza de não me aproveitar dos rancorres, ainda vivos, que ele merecidamente tem acumulado, durante o ano em curso, no coração dos gramadenses por conta de seus atributos de vândolo de interesses diversos.

A maior nevasca acontecida em nossa região foi em 1942, causando danos que deixaram gente sem casa e colonos sem ter o que comer – esse fenômeno  foi de tal intensidade que as estradas não podiam mais ser distinguidas, deixando caminhantes perdidos dentro de suas próprias propriedades; desde sempre setembro se delicía com a desgraça dos pobres, arrasando-lhe as moradias, causando enchentes que também são de lágrimas em faces de quem não se acostuma com um destino carimbado para o sofrimento; a água virando gelo se dilata e racha caules de trigais em floração, suprimindo o pão de muitas bocas; parreirais mutilados nos brotos de seu jardim da infância, fazem a peculiar sensibilidade dos descendentes italianos chorar penas que dinheiro nenhum paga. E esse trágico gosto se repete cada vez com mais frequência.

Destaque-se que as flores que enfeitam esse período são heróicas dissimuladoras do mau caráter de setembro; elas fazem o que podem, mas esse mês cada vez mais se mostra integrado à quadrilha dos fenômenos da natureza que se esforçam para fornecer aos seres vivos, alguma idéia daquilo que seja o inferno.

 

E-mail do colunista: riegelre@via-rs.net

O conteúdo da coluna assinada assim como as imagens é de responsabilidade do colunista.



Artigos deste autor nas edições anteriores