A observação feita por Jesus visava levar a multidão que o seguia a deixar de lado a exaltação ingênua e colocar os pés no chão, para evitar possíveis frustrações. A empolgação do momento podia desviar as pessoas do verdadeiro significado do gesto de colocar-se no seguimento do Mestre.  Quem quisesse segui-lo, deveria estar consciente das implicações de sua opção. Pablo Neruda, escritor dizia: “Cada um faz suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. Portanto, é importante estar atento aos conselhos de Jesus para que assim não nos arrependamos mais tarde.

A primeira exigência consistia em romper com os laços familiares, por causa do Reino, colocando, em segundo plano o amor aos entes queridos. O texto bíblico fala em “odiar” pai, mãe e etc. Evidentemente, a palavra “odiar” não tem o mesmo sentido que nós lhe damos hoje. Na boca de Jesus, ela quer dizer dar preferência ao pai, à mãe; coloca-la acima do Reino e de suas exigências.

A segunda exigência aponta para a predisposição de aceitar todas as consequências decorrentes da opção pelo Reino. Isto significa “tomar a própria cruz”. Não é apto para seguir Jesus quem se intimida diante das perseguições, da indiferença, das calúnias sofridas por causa de seu testemunho de vida. Só quem é suficientemente forte para enfrentá-las, está em condições de se tornar seguidor de Jesus.

Portanto, a opção por se tornar seu discípulo funda-se numa dupla disposição para a liberdade: diante dos laços de parentesco e diante da cruz que se há de encontrar nesse seguimento.

 

Façamos nossa oração:

Espírito que predispõe para a renúncia torna-nos aptos para o discipulado, nos libertando diante do que possa nos desviar das exigências do Reino. Amém

 

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