(Lc 13,1-9)

2º Domingo da Quaresma

Estamos lentamente com oração, penitência e revisão de vida subindo com Jesus para à pascoa. É um tempo precioso para o crescimento de nossa espiritualidade. Na primeira leitura de hoje nos apresenta a fé com a qual Abraão recebe a promessa de Deus e assim é considerado justo por Deus. No entanto o que vai frisar melhor quem é Jesus é o evangelho de hoje.

No evangelho Lucas nos conta como Jesus foi orar no monte, levando consigo Pedro, Tiago e João, e de repente ficou transfigurado diante dos seus olhos. Jesus apareceu a eles envolto de glória, acompanhado por Moisés (que representava a lei) e Elias (que representava os profetas). Falavam com ele sobre seu “êxodo”=caminho”, para Jerusalém, onde iria enfrentar a condenação e a morte. Era o momento em que despontava o conflito mortal, e, Deus mostrou aos discípulos a face invisível de Jesus, seu aspecto glorioso.

Já retornando a segunda leitura, vemos Paulo nos anunciando que Cristo nos há de transfigurar conforme sua existência gloriosa. Todos nós somos chamados a sermos filhos de Deus. Nosso destino verdadeiro é a glória de Deus que nos quer dar. Ora, para chegar lá, devemos como Jesus iniciar nosso “êxodo”= caminho de fé e de amor fraterno, comprometido com a prática da transformação. Isso nos pode levar a galgar o Calvário, como aconteceu com Jesus. O caminho é árduo, e as nossas forças parecem insuficientes. Às vezes parece que não existe perspectiva de mudança.

Uma sociedade mais justa e mais fraterna parece sempre mais inalcançável. Mas assim como os discípulos de Jesus, pela transfiguração no monte, puderam entrever a glória no fim da caminhada, assim nós também podemos saber que a caminhada de cada um de nós com a sua cruz o final será sempre uma caminhada de glória.

Antes de ser desfigurado no gólgota, o verdadeiro rosto de Cristo foi transfigurado. Revelou, no monte Tabor, seu brilho divino. Para a fé, os rostos de nossos irmãos explorados e pisoteados, brilham como rostos de filhos de Deus. Apesar da desfiguração produzida pela miséria, desigualdade, exclusão, o brilho divino está aí.

Se nós precisamos realizar uma mudança politica, econômica e cultural, a mudança radical é a que Deus opera quando torna filho seu aquele que nem figura humana tem. A consciência disto é que nos vai tornar mais irmãos e, daí, mais empenhados em criar uma sociedade digna da glória de Deus que habita em nossos irmãos excluídos.

Na Campanha da Fraternidade descobriremos isso. Contemplando a glória de Cristo no rosto do irmão procuraremos caminhos para pôr fim à deformação que nossa sociedade imprimiu a esse rosto, não apenas pela opressão, como também por uma cultura da ilusão e da irresponsabilidade. Por isso enfrentamos esta caminhada de modo bem concreto, assumindo o sofrimento dos nossos irmãos pisados e oprimidos, participando das lutas materiais, políticas, culturais, e comprovando assim a seriedade de nosso amor fraterno. Reflitamos!

 

Façamos nossa oração:

Espírito de revelação, como aos três discípulos, mostra-nos a santidade de Jesus, com quem devemos caminhar até a cruz. Amém

 

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