(Lc 4, 1-13)

1º Domingo da Quaresma

A quaresma sempre nos lembra “jejum e penitência”. No entanto Isaías diz que Deus não se alegra com rosto abatido e triste. Isso significa então que devemos encarar a Quaresma sob outro ângulo, ou seja, um treinamento da fé. Em que acreditamos, afinal? Por qual convicção é que nós colocamos a mão no fogo, resistimos à tentação como Jesus fez? Será que empenhamos nossa vida na retidão do Evangelho de Jesus?

A origem da quaresma vem dos tempos em que a Igreja preparava os catecúmenos para receber o batismo na noite pascal. Por isto ouvimos na primeira leitura algo que nos lembra do “Credo” que o antigo israelita pronunciava na hora de oferecer os primeiros frutos de sua terra: sinal de gratidão, pois o povo foi salvo por Deus.

Já na segunda leitura a mesma nos lembra do credo cristão quando aqueles que iam ser batizados pronunciavam com toda a comunidade na noite pascal: Nossa salvação veio pela fé em Jesus Cristo.

O Evangelho de hoje mostra este Credo em ação. Jesus dá o exemplo de adoração exclusiva a Deus. Jesus foi posto à prova. O diabo lhe sugeriu que transformasse pedras em pão, dominasse o mundo, deslumbrasse o povo. Mas Jesus  preferiu fazer de sua vida um grande ato de adoração a Deus. E o diabo o deixou até a hora da grande tentação -  a hora da paixão e morte.

Portanto a quaresma é uma subida à Páscoa, como os israelitas subiam a Jerusalém para oferecer suas ofertas e como Jesus subiu para oferecer sua vida. Nossa subida à Pascoa está sempre sob o fogo da provação e comprovação de nossa fé. Encaminhamo-nos para a grande renovação de nossa escolha pela fé. É importante nos dar conta de que se nos primeiros tempos da Igreja a quaresma  era preparação para o batismo e a profissão de fé, para nós é caminhada e renovação de nossa fé. Afinal uma fé que não passa por nenhuma prova e não vence nenhuma tentação pode se tornar acomodada, morta.

Ora, é preciso frisar de que a renovação de nossa escolha de fé não acontece na base de algum exercício piedoso ou cursinho teórico. É uma luta, como foi a tentação de Jesus no deserto, ao longo de quarenta dias. A fé se confirma e se aprofunda em sucessivas decisões como as de Jesus, quando resistia com firmeza e perspicácia às tentações mais sutis: riqueza, poder e sucesso.

Precisamos treinar continuamente nossa escolha por Deus. A Campanha da Fraternidade nos treina para colocar nossa fé em prática. Adestra-nos para enfrentar os demônios de hoje, a tentação da idolatria da riqueza, da dominação, da discriminação, da competição. Portanto, somos desafiados nesse tempo da quaresma a praticar a solidariedade fraterna, para com Jesus chegar à doação da própria vida, se assim for necessário, ou seja, na hora de nossas grandes provações. Quem não se exercita, talvez nunca saiba resistir.

 

Façamos nossa oração:

Espírito de solidariedade quebre as barreiras que nos impedem de irmos ao encontro de quem mais carece do amor misericordioso do Pai. Amém.

 

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