(Lc 6,39-45)

9º Domingo do Tempo Comum

Fala-se hoje em crise de autoridade e liderança. Os jovens não têm limites, e a decadência dos adultos tampouco...Não há mais em quem colocar sua confiança.

A primeira leitura de hoje dá  muita importância à palavra como espelho do ser humano: de alguma maneira revela, cedo ou tarde, o mais profundo da pessoa.

No Evangelho, Jesus denuncia os “cegos guias de cegos” e nos ensina a avaliar as pessoas conforme seus frutos (Lc. 6, 39-45), no “Sermão da Planície”. Não os belos discursos, mas aquilo que produzem seus atos e atitudes, isso mostra o que as pessoas valem e a confiança que se pode ter nelas.

Jesus, ao falar, visa em primeiro lugar a sociedade de Israel. Havendo política ou religião no meio, nunca faltam as belas palavras vazias. É contra isso que Jesus adverte. No tempo de Jesus, como nos dias de hoje, os graúdos na política e na religião falavam, mas não faziam; prometiam, mas não cumpriam; e, ainda viravam o casaco...Jesus expõe esse comportamento inconfiável ao juízo de Deus, definitivamente. Ele mesmo, em sua palavra e prática, é o juízo de Deus em face de esses comportamentos marcados pela hipocrisia. Os frutos que Deus espera de nós são amor e justiça – amor com justiça. Não palavras e orações vazias. A verdadeira religião é ajudar os pobres, as viúvas, os órfãos...(Tg 1,27).

Então, ponhamos nossa confiança em quem produz “os frutos do Espírito” de que fala Paulo em (Gl 5,22): amor, alegria, paz... “Com ações e de verdade” (1Jo 3,17)...Deus, é preciso crer para vê-lo. Os seres humanos, é preciso ver para acreditar...A lei supõe a inocência até que se prove o contrário, mas a experiência nos ensina a confiar apenas em quem prova sua integridade. Cristo nos ensinou o sistema de Deus. Devemos reservar nossa confiança para investi-la naqueles que, por seus atos, mostram-se participantes do projeto de Deus, produzindo atos de justiça, solidariedade e amor.

Quem anda com a Bíblia debaixo do braço ou faz longas orações não merece necessariamente nossa confiança. Primeiro vamos ver o que faz e o porquê o faz. No fim das contas, só merece “confiança evangélica” quem, de alguma maneira, vivendo ou morrendo, realmente dá sua vida pelos outros. Eis o bom senso do Reino.

 

Façamos nossa oração:

Espírito de testemunho seja o nosso modo de viver uma proclamação viva dos valores do Reino, no qual as pessoas possam espelhar-se. Amém

 

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