(Jo 18,33b-37)

É fim de mais um ano litúrgico e, no entanto, continuam as ambiguidades da história. O Reinado de Cristo se evidencia na sua “hora” (Jo 17,1). O Evangelho deste ano nos insere na declaração de Jesus diante de Pilatos: “Tu o dizes; Eu sou rei” (Jo 18,37). Essa autorrevelação de Jesus coloca Pilatos diante de uma situação estranha, pois o acusado reivindica realeza e reino (v.39s), pois o fundamento destes é a Verdade: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da Verdade [...] todo aquele que é da Verdade escuta a minha voz”. (V.37)

Verdade e mentira, no mundo, estão continuamente misturadas. A Verdade, como tal, fica obscurecida. A Verdade é incômoda para o homem, mas é o guia mais seguro para que este saia da prisão de si e para a verdadeira liberdade. O mundo só experimentará a Verdade à medida que refletir Deus a fonte e origem de toda a criação, a razão eterna de onde tudo brotou. A missão de Jesus é a de “dar testemunho da verdade”, isto é, manifestar a realidade de Deus e sua vontade diante dos interesses e dos poderes do mundo.

Deus é a medida, a razão, o sentido de tudo o que existe. Neste contexto, a Verdade é o verdadeiro “Rei” que dá a todas as coisas a sua luz e a sua grandeza. Toda a vida e a pregação de Jesus foi o anúncio do Reino de Deus. Neste diálogo de Jesus com Pilatos fica claro que o centro da mensagem de Jesus, da Galiléia até a Cruz, e o Reino de Deus, instaurado com o seu sacrifício e que se torna presente na Pessoa.

A crise social planetária é o resultado de ideologias que vem se arrastando há muito tempo. Por outro lado, nos assusta pela proporção gigantesca que vem se manifestando. É preciso consciência de que esse quadro não é fruto do acaso, mas consequência de perversas ideologias que foram se petrificando na história e esvaziando os valores e princípios que dão sustentabilidade e sentido para a vida da sociedade.

Não podemos omitir de que vivemos num vazio existencial, mormente as novas gerações, por não encontrarem uma referência segura às suas vidas. Toda ideologia quando absolutizada conduz a paradoxos desconcertantes qualquer ser humano, pois o mesmo sente de que o “sentido” vai muito além do aqui e do agora.

O progresso chegou a nível digno de ser admirado, embora pobre em valores objetivos e sem normatividade que assegure o “por que” viver e lutar. Nossa cultura vive uma permanente conflitualidade político socioeconômica, cultural e religiosa. A sociedade civil precisa refazer um “ethos” objetivo e normativo baseado na fé, que dá sentido e segurança às pessoas, embora os avanços da tecnologia e da ciência, jamais tem fim em si mesmo, mas deve estar a serviço do próprio “humano”.

Na Solenidade de Cristo Rei é concluído o “Ano Litúrgico”. Assim inicia o “Novo Ano” com o Advento. Ora, a vida só tem sentido a partir de Deus explicitado em Jesus Cristo que se encarnou na história humana por quatro motivos: 1. O Logos se encarnou para nos salvar reconciliando-nos com Deus. Nossa natureza precisava ser curada. 2. O Logos se encarnou para que assim conhecêssemos o amor de Deus. 3. O Logos se encarnou para ser nosso modelo de santidade. 4. O Logos se encarnou para nos tornar participantes da natureza divina. (2Pd 1,4). (Catecismo da Igreja Católica).

Portanto, para refazer uma sociedade e harmonizá-la é possível somente quando formos irmãos uns dos outros. A crise social é porque preferimos construir nossa história sem Deus. O “sentido” é repensarmos a vida sob o ângulo de Deus e não a partir de nossas pobres e míseras ideologias.

 

Façamos nossa oração.

Senhor Jesus, ao concluir o Ano Litúrgico precisamos de uma palavra dura ante nosso comportamento. Pois muitas vezes esquecemos que o Reino que pregaste não se reduz aos bens materiais, mas é um Reino da Verdade e da Vida. Obrigado por nos ter alertado na liturgia de hoje de qual é o caminho que devemos trilhar. É o teu seguimento. Obrigado Senhor!. Amém

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