(Mc 10, 46-52)

30º Domingo do Tempo Comum

O que podemos fazer quando a fé vai se apagando em nosso coração? É possível reagir? Podemos sair da indiferença? Marcos narra a cura do cego Bartimeu para animar seus leitores a viver um processo que possa mudar suas vidas. Não é difícil nos reconhecer na figura de Bartimeu.

Vivemos às vezes como “cegos” sem luz para olhar a vida como Jesus olhava. ‘Sentados, instalados numa religião convencional, sem força para seguir seus passos. Desencaminhados, “à beira do caminho” que Jesus percorre sem aceita-lo como guia de nossa vida.

O que podemos fazer? Apesar de sua cegueira, Bartimeu “fica sabendo” que por sua vida está passando Jesus. Não se podia deixar escapar a ocasião e começou a gritar: “Tem compaixão de mim!”. Esta é sempre a primeira coisa: abrir-se a qualquer chamado ou experiência que nos convida a curar a nossa vida. O grito deve ser humilde e sincero, repetido do fundo do coração, pode ser o começo de uma vida nova. Jesus não passará ao largo.

O cego continuava no chão, longe de Jesus, mas escuta atentamente o que lhe dizem seus enviados: “Coragem! Levanta-te, porque Ele te chama”. Primeiro se deixa animar, abrindo uma pequena brecha para a esperança. Depois ouve o chamado a levantar-se e reagir. Por último, já não se sente sozinho: Jesus o está chamando. Isto muda tudo.

Bartimeu dá três passos: 1. Joga fora o manto, pois este o impede de encontrar-se com Jesus, embora ainda se movesse entre trevas. 2. Dá então, um salto decisivo e se aproxima de Jesus. É o que muitos de nós precisamos, ou seja, nos libertar das amarras que emperram nossa fé; tomar, por fim, uma decisão sem deixa-la para mais tarde e nos colocar diante de Jesus com confiança simples e nova.

Quando Jesus lhe pergunta o que quer Dele, o cego não duvida. Ele sabia muito bem do que precisava. “Mestre, que eu possa ver novamente”. É o mais importante. Quando alguém começa a ver as coisas de maneira nova, sua vida se transforma. Quando uma comunidade recebe luz de Jesus, ele se converte.

Depois de vinte séculos, a maior contradição dos cristãos é pretender sê-lo sem seguir Jesus. Se aceita a religião cristã (como se poderia aceitar qualquer outra), porque dá segurança e tranquilidade diante do “desconhecido”, mas não se entra na dinâmica do seguimento fiel a Cristo. Estamos cegos e não vemos onde está o essencial da fé cristã.

O grande problema hoje em nós é a moda ou o sistema. Renunciamos a crescer como pessoa. Somos chamados a crescer. O Evangelho tem força para nos fazer viver uma vida mais intensa, verdadeira e jovem. O escritor Georges Bernanos dizia: “Sois capazes de rejuvenescer o mundo, sim ou não?. O Evangelho sempre é jovem. Vós é que sois velhos”.

A civilização pós-moderna nos sobrecarrega e constrange com todo o tipo de receitas e técnicas para viver melhor, estar em forma e conseguir um bem-estar mais seguro. Mas todos nós sabemos por experiência que a vida não é algo que nos vem de fora, mas se deve alimentá-la no mais profundo de nós mesmos.

Outro erro que se comete hoje, é recolher-se em si mesmo e fechar-se nos próprios problemas sem interessar-se pelos outros. Quem permanece indiferente a tudo aquilo que não sejam suas coisas corre o risco de matar sua vida. O amor renova as pessoas, o egoísmo as faz murchar. Portanto é bom lembrar: “Não existe Igreja de Jesus sem ouvir os que sofrem”.

 

Façamos nossa oração:

Senhor Jesus, cura nossa cegueira espiritual para que, iluminado pela luz da fé, nos te sigamos, com toda a confiança, no caminho do discipulado. Amém.

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