(Mc 9, 31-37)

25º Domingo do Tempo Comum

De acordo com o relato de Marcos, Jesus insiste por três vezes o caminho a Jerusalém, sobre o destino que o espera. Sua entrega ao projeto de Deus não terminará no êxito triunfal que seus discípulos imaginam. No final haverá “ressurreição” embora pareça incrível Jesus será “crucificado” e seus seguidores precisam saber disso.

No entanto, os discípulos não entendem Jesus. Têm medo até de perguntar-lhe, pois continuam pensando que Jesus trará glória, poder e honra. Quando chegaram a Cafarnaum Jesus lhes faz uma única pergunta: Sobre o que discutíeis no caminho? O que falaram pelas costas? Sentem vergonha, guardam silêncio e com vergonha de dizer a verdade, pois estavam pensando quem seria o mais importante. Não acreditam na igualdade fraterna que Jesus procura. O que os move é ambição e a vaidade: serem superiores aos outros.

Diante do silêncio de seus discípulos senta-se e os chama. Ele tem grande interesse em ser ouvido. O que Ele vai dizer não deve ser esquecido. O que Ele vai dizer não deve ser esquecido: “Quem quiser ser o primeiro seja o último de todos e o servo de todos”.

Portanto, não se deve olhar tanto para os que ocupam os primeiros lugares e têm renome, títulos e honras. Importante são os que sem pensar muito em seu prestígio ou reputação pessoal, se dedicam, sem ambições e com total liberdade e servir, colaborar e contribuir para o projeto de Jesus. O importante não é ficar bem, mas fazer o bem seguindo Jesus.

O caminho de Jesus não é um caminho de glória, êxito e poder. É o contrário: leva à crucificação e à rejeição, embora termine em ressurreição. Isso não entrava na cabeça dos discípulos. Jesus lhes fala de entrega e de cruz, eles falam de suas ambições: “Quem será o mais importante no grupo”? Quem ocupará o posto mais elevado? Quem mais receberá honras?

Jesus se senta, chama os doze e diz a eles que devem aprender duas atitudes fundamentais: 1. Quem quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos. Renunciar as ambições, dignidades, honras e vaidades. Em seu grupo ninguém deve pretender estar acima dos outros. 2. Jesus ilustra com um gesto simbólico afetuoso. Coloca uma criança no meio dos doze, no centro do grupo, para que aqueles mais ambiciosos se esqueçam de honras e grandezas e fixem seus olhos nos pequenos, nos fracos, nos mais necessitados de defesa e cuidado.

Depois abraça a criança e lhes diz: “Quem acolhe uma criança como esta em meu nome é a mim que acolhe”. Uma Igreja que acolhe os pequenos e indefesos está ensinando a acolher a Deus. Uma Igreja que olha para os grandes e se associa aos poderosos da terra está pervertendo a Boa Notícia de Deus anunciada.

As primeiras vítimas da deterioração e dos erros de uma sociedade são quase sempre os mais fracos e desamparados: as crianças. Estes seres dependem totalmente do cuidado de seus pais ou da ajuda dos adultos.

A crise da família e a instabilidade do casal estão provocando em alguns filhos efeitos difíceis de medir em toda a sua profundidade. Crianças pouco amadas, privadas de carinho e da a atenção de seus pais, de olhar apagado e ânimo abalado, que se defendem como podem da dureza da vida sem saber onde encontrar refúgio seguro.

O bem-estar material maquia às vezes a situação, ocultando de maneira sutil a “solidão” da criança. Aí estão estes filhos, cheios de coisas que recebem dos pais, mas não encontram neles atenção, o carinho e a acolhida de que necessitam para abrir-se à vida com prazer.

E os educadores? Seu trabalho não é difícil. Peças de um sistema de ensino que, de modo geral, fomenta mais a transmissão de dados do que o acompanhamento humano, correm risco de transformar-se mais em processadores de “informação” do que em “mestres da vida”.

Não se trata de culpabilizar ninguém. É todo a sociedade que precisa tomar consciência de que um povo progride quando sabe acolher, cuidar e um povo progride quando sabe acolher, cuidar e educar bem as novas gerações. É um erro planejar o futuro descuidando da educação integral de crianças e jovens. Por outro é preciso valorizar mais a família, os educadores é melhorar a qualidade humana dos que um dia serão seus protagonistas.

Dizia Saint-Exupery, e talvez hoje mais do que nunca, “as crianças precisam ter muito paciência com os adultos”, porque elas, muitas vezes, não encontram a compreensão, o respeito, a amizade e a acolhida que buscam.

 

FAÇAMOS NOSSA ORAÇÃO

Senhor Jesus, tira de nosso coração todo o ideal humano de grandeza, e faze-nos servidor. Amém

 

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