(Mc 6,1-6)

14º Domingo do Tempo Comum

Jesus não tinha poder cultural como os escribas. Não era um intelectual com estudos. Tampouco possuía o poder sagrado dos sacerdotes do templo. Não era membro de uma família respeitável nem pertencia às elites urbanas de Séforis ou Tiberíades. Jesus era um operário da construção de uma aldeia da Baixa Galiléia.

Não havia estudado em nenhuma escola Rabínica. Não se dedicava a explicar a lei. Não o preocupavam as discussões doutrinais. Não se interessou nunca pelos ritos do templo. As pessoas o viam como um mestre que ensinava a entender e viver a vida de maneira diferente.

De acordo com Marcos, Jesus chega a Nazaré acompanhado por seus discípulos e seus concidadãos ficam maravilhados por duas coisas: a sabedoria de seu coração e a força de suas mãos. Era o que mais atraía as pessoas.

Jesus não era um pensador que explicava uma doutrina, mas um sábio que comunicava sua experiência de Deus e ensinava a viver sob o  signo do amor. Não era um líder autoritário que impunha seu poder, mas um curador que transmitia saúde e alívio ao sofrimento. Entretanto as pessoas de Nazaré não aceitavam. Jesus não conseguia aproximá-los de Deus, nem curar a todos, como teria desejado.

Jesus não pode ser entendido a partir de fora. É preciso entrar em contato com Ele. Deixar que nos ensinasse coisas tão decisivas como a alegria de viver, compaixão ou vontade de criar um mundo mais justo. Deixar que nos ajudasse a viver na presença amistosa e próxima de Deus. Quando alguém se aproxima de Jesus, não se sente atraído por uma doutrina, mas convidado a viver de maneira nova.

Durante muito tempo, o Ocidente ignorou quase totalmente o papel do espírito na cura da pessoa. Hoje, pelo contrário, se reconhece abertamente que grande parte das doenças modernas é de origem psicossomática. Muitas pessoas ignoram que sua verdadeira enfermidade encontra-se num nível mais profundo do que o estresse, a tensão arterial ou a depressão. Não se dão conta de que a deterioração de sua saúde começa a gestar-se em sua vida absurda e sem sentido, na carência de amor verdadeiro, na culpabilidade vivida sem a experiência do perdão, no desejo centrado egoisticamente sobre si mesmo ou em tantas outras “doenças” que impedem o desenvolvimento de uma vida saudável. Jesus não é saúde, mas a acolhida do Amor Salvador de Deus.

A razão é simples. O eu mais profundo do ser humano pede sentido, esperança e, sobretudo amor. Muitas pessoas começam a ficar doentes por falta de amor. Por isso a experiência de saber-nos amados incondicionalmente por Deus nos pode curar. Os problemas não desaparecem. Mas saber, no nível mais profundo de meu ser, que sou amado sempre e em qualquer circunstância, e não porque sou bom e me ama, é uma experiência que gera estabilidade e paz interior.

É bom refletir!

 

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