(Mc 1,40-45)

Primeiro Domingo da Quaresma

Todos os anos, no primeiro domingo da quaresma, o trecho do evangelho fala das tentações de Cristo no deserto. Marcos nos apresenta a mais curta em dois únicos versículos.: “O Espírito conduziu Jesus no deserto e ele ali permaneceu durante 40 dias, tentado por Satanás; estava na companhia dos animais selvagens e os anjos o serviam”. (vv. 12-13).

Antes de tudo, observamos uma coisa estranha: é o Espírito que, logo após ter descido sobre Jesus na forma de pomba, o impele para o lugar da tentação.

Na Bíblia frequentemente se afirma que Deus submete o homem a provas. Como se explica isso? Há na vida tentações que não são instigações para o mal: são situações que também o homem justo deve enfrentar, são as horas nas quais somos obrigados a fazer escolhas e que se transformam em ocasiões favoráveis para fortalecer a fé.

Quem quer crescer, se aperfeiçoar, purificar-se, revigorar a própria adesão a Deus, não pode ser poupado dessas provas. O que acontece com os catecúmenos das nossas comunidades no dia do batismo? Recebem o Espírito, o mesmo que Jesus recebeu no seu batismo no rio Jordão. Depois...por acaso ficam isentos milagrosamente de todas as dificuldades da vida? Não, depois do batismo, o Espírito impele o cristão para o deserto da vida.

Quer que experimente as alegrias e  as dores, os temores e as esperanças dos outros homens; a alegria pelo nascimento de um filho, a ansiedade por uma pessoa amada que está doente, a preocupação pela chuva que não chega...É no mundo, em contato com os problemas do dia-a-dia que a fé, submetida continuamente à prova crescerá na constante adesão aos impulsos do Espírito.

“Quando o Espírito impeliu Jesus no deserto”, não é uma simples informação, mas uma mensagem teológica: significa: depois do seu batismo Jesus recebeu a força de Deus (Espírito) e começou sua luta contra Satanás.

Os dois textos dizem que Jesus ficou 40 dias no deserto. Esses dados são simbólicos com certeza. Quarenta significa aqui “...uma vida inteira”, ao passo que o “Deserto”, naquele tempo era considerado como a morada das forças inimigas de Deus e do homem.

Com essas duas imagens Marcos nos quer ensinar que, desde que Jesus saiu das águas do rio Jordão, Jesus teve que contrapor-se durante toda sua vida com propostas que queriam desviá-lo do caminho traçado para ele pelo Pai, propostas que lhe eram dirigidas pelos inimigos, pelo povo e até pelos próprios discípulos.

A segunda parte do Evangelho, dos (vv.14-15)  nos relata, em síntese, toda a pregação de Jesus: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: fazei penitência e crede no Evangelho”.

É um convite dirigido a todos os homens no começo da quaresma: é o momento de mudar o coração e acolher com alegria o mundo novo no qual Jesus já entrou com sua vitória sobre o mal e no qual todos nós devemos nos deixar introduzir, aceitando o seu Evangelho.

 

Façamos nossa oração:

Senhor Jesus, que o teu apelo exigente de conversão não nos intimide, antes nos estimule a mudarmos radicalmente nosso modo de agir. Amém

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