(Mc 1,21-28)

Jesus começou a “ensinar” pela primeira vez num sábado. No entanto com sua palavra ele produziu uma sensação de muita admiração entre as pessoas. As mesmas perceberam Nele algo que não encontram em seus mestres religiosos na sinagoga. Daí o comentário popular: “Ele não ensina como os escribas, e sim com autoridade”.

Os escribas ensinam em nome da instituição, atêm-se às tradições e a autoridade deles provém da sua função de interpretar a lei.

A autoridade de Jesus é diferente, não vem da instituição; não baseia na tradição; tem outra fonte. Ele está cheio do Espírito vivificador de Deus.

Os evangelistas põem na boca É bom frisar que Jesus não vem destruir ninguém. Tem “autoridade” precisamente porque dá vida às pessoas. Seu ensinamento humaniza e liberta de escravidões. Suas palavras convidam a confiar em Deus. Quando Jesus curava as pessoas diziam: “Esta é uma maneira de ensinar com autoridade nova”.

Os evangelistas põem na boca de Jesus frases que dizem tudo: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”. (Jo 10,10).

É bom perceber que as curas que Jesus realiza no nível físico, psicológico ou espiritual são símbolo que melhor condensa e ilumina a razão de sua vida. Jesus não realiza curas de maneira arbitrária ou por afã sensacionalista. O que ele busca é a saúde integral das pessoas: que todos os que se sentem enfermos, abatidos, exaustos, alquebrados ou humilhados possam experimentar a saúde como sinal de um Deus amigo, que quer para o ser humano vida e salvação.

Toda a atuação de Jesus procura encaminhar as pessoas para uma vida mais sadia: sua rebeldia diante de tantos comportamentos patológicos, de raiz religiosa como o legalismo, hipocrisia, rigorismo vazio de amor; sua luta para criar uma convivência mais humana e solidária; sua oferta do perdão a pessoas mergulhadas na culpabilidade e na ruptura interior; sua ternura para com os maltratados pela via ou pela sociedade; seus esforços por libertar a todos do medo e da insegurança, para viver a partir da confiança absoluta em Deus.

Há poucos anos Bernhart Häring um dos mais prestigiosos moralistas do século XX dizia: “A Igreja precisa recuperar sua missão curadora se quiser ensinar o caminho da salvação”.

Jesus mesmo afirmava: “Proclamai que o Reino de Deus está próximo, curai os enfermos, ressuscitai mortos, purificai os leprosos, expulsai demônios”. A primeira tarefa da Igreja não é celebrar culto, elaborar teologia, pregar moral, mas curar, libertar do mal, tirar do abatimento, sanar a vida, ajudar a viver de maneira saudável. Esta luta pela saúde integral é caminho de salvação e promessa de vida eterna.

Jesus não é um “vendedor de ideologias”. É um mestre de vida que coloca o ser humano diante das questões mais decisivas e vitais.

Nossa sociedade precisa de homens e mulheres que ensinem a arte de abrir os olhos, de maravilhar-se diante da vida e interrogar-se com simplicidade sobre o sentido último da existência. O Evangelho de Marcos sublinha de maneira especial a atenção de Jesus para com os “possuídos por espíritos malignos”.

Façamos nossa oração!

Querido Pai do céu, que através de teu Filho Jesus leve-nos a perceber que por trás de teus gestos e palavras, a tua presença por meio de Ti. Amém

 

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