(Lc 2,1-20)

A alegria do Natal não é uma alegria a mais entre outras. É preciso não confundi-la com qualquer bem-estar, satisfação ou desfrute. É uma “grande”, incompatível, que vem da “Boa-Notícia” de Jesus. Por isso é “para todo o povo” e deve chegar sobretudo aos que sofrem e vivem tristes.

Se Jesus já não é uma “boa notícia”, se seu evangelho não nos diz nada, se não conhecemos a alegria que só nos pode vir de Deus, se reduzimos estas festas a desfrutar cada uma seu bem-estar ou alimentar um prazer religioso egoísta, celebraremos qualquer coisa, menos o Natal. Por essa razão é que tem sentido a celebrar o Natal, pois é o “Salvador” do mundo. O único no qual podemos pôr nossa última esperança.

Este mundo que conhecemos não é a verdade definitiva. Jesus Cristo é a esperança de que a injustiça que hoje tudo envolve não prevalecerá para sempre. Sem esta esperança não há Natal. Despertaremos nossos melhores sentimentos, desfrutaremos o lar e a amizade, nos daremos momentos de felicidade. Tudo isso é bom. Muito bom. Mas ainda não é Natal.

Em meio a congratulações e presentes, entre ceias e barulho, quase oculto por luzes, árvores e estrelas, é ainda possível entrever no centro das festas natalinas “UM MENINO DEITADO NUMA MANJEDOURA”.

Os pastores nos mostram em que direção procurar o Mistério do Natal. “VAMOS A BELÉM”. Mudemos nossa ideia de Deus. Façamos uma releitura de nosso cristianismo. Voltemos ao início e descubramos um Deus próximo e pobre. Acolhemos sua ternura. Para o cristão, celebrar o Natal é “RETORNAR A BELÉM”.

Os místicos têm razão quando dizem que para acolher a Deus é necessário “esvaziar-nos” e tornar-nos pobres, simples, humildes e abertos ao Mistério de Deus inserido na história humana.

Enquanto vivermos buscando a satisfação de nossos desejos, alheios ao sofrimento dos outros, conheceremos diferentes graus de exaltação, mas não a alegria anunciada aos pastores de Belém.

“A ideia de que se pode fomentar a paz enquanto se estimulam os esforços de posse e lucro é uma ilusão”. (Erich Fromm).

O Natal encerra um segredo que, infelizmente escapa a muitos dos que nessas datas celebram “algo” sem saber exatamente o quê. Não conseguem suspeitar que o Natal fornece a chave para decifrar o Mistério último de nossa existência. No Natal, Deus falou. Já temos uma resposta. Deus não oferece palavras: “A PALAVRA DE DEUS SE FEZ CARNE”.

Já não estamos perdidos em nossa imensa solidão. Não estamos submersos em puras trevas. Ele está conosco. Há uma luz. “Não somos mais solitários, mas solidários”. (Leonardo Boff). Deus compartilha nossa existência. Deus entrou no nosso mundo. É possível viver com esperança!

Desejo a todos os leitores dessa coluna semanal um abençoado:

FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO 2018!

 

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