(Mt 25,1-13)

Mateus escreveu seu evangelho num momento crítico para os seguidores de Jesus. A fé de muitos estava relaxando. Era necessário reavivar a conversão dos cristãos da época. O texto é um convite a se viver a adesão a Cristo de maneira responsável e lúcida, antes que seja tarde. Pois cada um deve saber que precauções devem tomar.

É sempre uma irresponsabilidade chamar-nos de cristãos e viver a própria religião sem fazer mais esforço para nos parecer com Cristo. Não mudar de vida para viver os valores do evangelho é próprio de pessoas inconscientes sem “entrar” no Projeto de Deus que Ele quis pôs a caminho. Há muitos cristãos que esperam Jesus com as “lâmpadas apagadas”.

Chama a atenção neste evangelho de Mateus, a insistência de Jesus em falar na “esperança”. A mesma não é algo defasada. Por um lado, não devemos esperar com otimismo ingênuo. Por outro, a esperança pode nos despertar da passividade própria de quem se sente resignado ou satisfeito.

Nosso maior erro é permanecer na mera satisfação de algumas de nossas necessidades. São pessoas concentradas sobre si mesmas, insensíveis à dor alheia, pessoas cuja “lâmpada” do amor gratuito e generoso já se apagou há muito tempo.

No entanto, o Evangelho nos convida à vigilância. A esperança cristã não se instala na consciência. Ao contrário, inquieta, anima nossa responsabilidade e criatividade, não nos deixa descansar.

Uma pessoa que mantém acesa a lâmpada da esperança é uma pessoa eternamente insatisfeita, que nunca está de todo contente, nem consigo mesma, nem com o mundo em que vive. São discípulos e discípulas de Cristo  “prudentes e sensatas” de que tanto necessita nossa sociedade. Pessoas de esperança incansável.

São homens e mulheres que sabem que o crescimento do nível de vida não é a última salvação que apaziguará o ser humano. São pessoas que lutam por um mundo mais humano, mas sabem que nunca será um mero desenvolvimento de nossos esforços, mas uma dádiva daquele em quem vamos encontrar um dia a plenitude.

Numa época de crise como a nossa, a perda de esperança se manifesta, sobretudo numa atitude de desesperança que vai penetrando tudo. É fácil observar hoje este “desgaste” de esperança em grande número de pessoas.

O traço mais evidente é a atitude negativa diante da vida. Quem perde a esperança vai vendo tudo de maneira cada vez mais escura. Não é capaz de captar o bom e o belo que existe na vida. Não consegue ver o lado positivo das coisas, das pessoas e dos acontecimentos. Tudo está mal, tudo é inútil. E nessa atitude desesperançada a pessoa vai desperdiçando suas melhores energias.

A desesperança também pode vir acompanhada da tristeza. A alegria de viver desaparece. A pessoa ri e se diverte por fora, mas existe algo que morreu em seu interior. Às vezes a falta de esperança se manifesta simplesmente no cansaço. A vida se converte numa carga pesada, difícil de aguentar. Falta impulso, resolução e entusiasma. A pessoa se sente cansada de tudo. Não é uma fadiga normal resultante de um  trabalho ou atividade extenuante. É um cansaço vital, um tédio profundo que nasce de dentro e envolve toda a vida da pessoa.

O problema de muitas pessoas, mormente cristãos, não é “ter problemas”, mas não ter força interior para enfrenta-los.

Caro leitor! Não deixe nunca apagar a sua “vela”! Pense!

 

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