(Lc 1,39-56)

FESTA LITÚRGICA: Assunção de Nossa Senhora

A liturgia da solenidade de Maria nos remete ao Mistério da Encarnação. Deus entra na história humana através de seu Filho Jesus. Ele quis nascer no seio de uma família. O Catecismo da Igreja Católica nos aponta quatro motivos pelos quais Deus nos entrou em nossa história.

  1. O “logos” se encarnou para nos salvar reconciliando-nos com Deus. “Foi Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados”. (1Jo 4,10). Doente, nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada; enclausurados nas trevas, era preciso restituir e nos trazer à luz.

 

  1. O “logos” se encarnou para que assim conhecêssemos o amor de Deus

 

  1. O “logos” se encarnou para ser nosso modelo de santidade. “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim...(Mt 11,29). E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: “Ouvi-o”. (Mc 9,7). Pois Ele é o modelo das Bem-aventuranças e a norma da Nova Lei: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. (Jo 15,12). Esse amor implica a oferta efetiva de si mesmo no seu seguimento.

 

  1. O “logos” se encarnou para tornar-nos participantes da natureza divina. (2 Pd 1,4).

 

Como aconteceu a Encarnação? A Igreja sempre confessou que o divino Salvador Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no sei da Virgem Maria. (KLOPPENBURG, Dom Frei Boaventura, OFM – Kýrios – Aos pés de Jesus – Ed. Ave Maria – 2000) E segue: “A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune do pecado original”.

Sempre é importante frisar que o Mistério da Encarnação de Jesus na história humana não é um simples fato histórico, mas um gesto de amor profundo de Deus Pai para conosco. Não estamos abandonados no mundo, mas sempre temos a presença de Deus entre nós. A forma que Deus entrou em nossa natureza fez com que nossa natureza humana também tivesse algo de divino. Jesus ao entrar em nossa humanidade nunca deixou de ser Deus, embora tenha assumido a nossa carne mortal, sem, contudo, ter pecado. “Antes que Abraão fosse, Eu sou”, ou seja, Jesus sempre existiu antes de todos os séculos.

“A partir da fé cristã sobre a natureza ao mesmo tempo divina e humana de filho de Maria, não nos surpreendemos com informações que não cabem nas nossas categorias humanas normais”. (KLOPPENBURG, 2000).

Maria não é uma deusa, embora tenha sido escolhida por Deus para essa tarefa e missão de trazer Jesus ao humano, embora sem a participação do sêmen masculino já que sempre existiu antes de todos os séculos.

“Para ser a Mãe da natureza humana do Logos, Deus escolheu a livre cooperação de uma criatura e preparou uma jovem judia de Nazaré na Galiléia chamada Maria”. (ibidem). Assim “...dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tornou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com ele, pela graça a Deus, ao Mistério da Redenção”. Salve Maria! Obrigado pelo seu “SIM”.

 

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