(Mt 26, 14-27,66) 

Toda a liturgia deste domingo nos convida a refletirmos sobre o Mistério da Cruz em nossas vidas, nesse episódio o próprio Cristo se entrega até a morte de cruz. Para nossa espiritualidade tem um por que, pois a vida do ser humano no tempo e no espaço é provisória e Jesus nos faz ver que não é no acúmulo de bens materiais que haveremos de plenificar a nossa vida, e, sim, através das contrariedades da história e desapegados dos bens é que nos preparamos para a plenitude da vida. “A morte de cruz correspondeu ao ponto mais baixo e ao ponto mais alto do projeto messiânico de Jesus e de sua relação com os que escolheram para estar com ele, ou seja, todo aquele que quiser segui-lo de qualquer tempo e lugar, ver-se-ão confrontados com ela. Será inútil querer desviar-se dela”.  

O imaginário da cultura contemporânea ante tal realidade é chocante, pois a essência da modernidade foca num Jesus sem cruz, glorioso e triunfante. É difícil assimilar que seguir Jesus se precisa passar pelo caminho da cruz para entrar com Ele na glória. Na transfiguração de Jesus, ficaram explícitos para os três discípulos, Pedro, Tiago e João que mesmo vivenciando a beleza da transfiguração de Jesus, foi um acontecimento para retratar que tal realidade é verdadeira, embora todo discípulo necessitasse passar pela experiência do sofrimento. E Jesus deu o exemplo aceitando sua condenação para chegar à glória da Ressurreição. Toda espiritualidade cristã que não tiver como base a cruz é falsa, pois não corresponde aos ensinamentos de Jesus. “Quem quiser me seguir, tome a sua cruz e siga-me, pois todo aquele que não carregar sua cruz não é digno de mim”.

Para uma cultura em que o prazer, o ter e o poder são o ponto da essencialidade, é absurdo. Entretanto, é a realidade da fé cristã autêntica. Não se necessita buscar o sofrimento para se identificar com Cristo, mas, sim, conviver com as perplexidades da vida sempre que nos defrontamos com as mesmas.  É bom pensar!

 

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