(Jo 11, 1-45) 

A Ressurreição de Lázaro é algo surpreendente, pois Jesus nunca nos é apresentado tão humano, e frágil como neste momento em que morre um de seus melhores amigos. Vendo a dor, o choro ante a morte do irmão, Jesus também chora. Jesus vê a família quebrada. Quem pode consolar-nos. Existe em nós um desejo insaciável de vida. Passamos dias e anos lutando para viver. Agarramo-nos à ciência, e, sobretudo na medicina para prolongar a vida biológica, mas sempre chega uma última enfermidade da qual ninguém pode curar-nos. Por outro lado, não seria bom para nós viver esta vida para sempre. Seria horrível um mundo envelhecido, cheios de velhos, com menos jovens no qual não se renovasse a vida.

O que desejamos é uma vida diferente, sem dor nem velhice, sem fome nem guerras, uma vida plenamente feliz para todos. Zygmunt Bauman diz: “Vivemos hoje uma “sociedade da incerteza”, e ainda impotentes diante de um futuro incerto e ameaçador”. Em que podemos esperar? Em todos os tempos e hoje ainda mais somos rodeados de trevas. O que é a vida? O que é a morte? Como se há de viver? Como se há de morrer? Jesus diz: “Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”.

Só em Jesus é que encontramos uma esperança de vida e além da vida. Muitos procuram esquecer a morte, mas a qualquer momento, a enfermidade vem sacudir-nos da inconsciência. Um dia nossas análises médicas nos indicarão que nosso fim está próximo. Será duro. Entretanto, “nem sequer esta enfermidade acabará em morte” porque Deus só quer para nós a vida, e vida eterna. O sociólogo Peter Berger diz: “Toda a sociedade humana é, em última análise, uma congregação de seres humanos frente à morte”.

E a verdade da civilização contemporânea não sabe o que fazer com ela, senão ocultá-la e eludir ao máximo seu trágico desafio. Eduardo Chilida expressou: “Da morte, a razão me diz que é definitivo, da razão me diz que é limitada”. Viver a plenitude em Deus preenche tudo e encerra tudo. É bom meditar!

 

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