(Mt 5, 17-37)

O Evangelho de Mateus (5, 17-37) chama a atenção pelo elenco de antíteses, proclamadas por Jesus, e, por isso mesmo, possui um caráter polêmico, a começar pela introdução: “Vocês ouviram o que foi dito (por Deus) aos antigos. Ele se referia aos pais do povo hebreu mormente os que haviam recebido a Lei no Sinai e fizeram a tentativa de explicá-la para o povo.

Por outro lado, Jesus não se referia aos rabinos de seu tempo e sim a quem recebera de Deus o encargo de transmitir sua Lei ao povo. Este ensinamento era questionado por Jesus. A ousadia do Mestre era patente! Por quê? Este ensinamento venerável e tradicional, Jesus pretendia contrapor outro mais radical, também em conformidade com o querer divino. E não algo puramente humano, sem transcendência. De modo que o ensinamento saído da boca, diferentemente daquele dos mestres antigos, estava em perfeita sintonia com Deus. Isso quer dizer, que Jesus não se colocou na contramão do Deus do AT.

Seu ensinamento superava a materialidade da letra dos mandamentos, revelando o espírito neles subjacente, revelando assim o verdadeiro projeto de Deus para a humanidade. (fonte: VITÓRIO, P. Jaldemir, SJ – O Evangelho nosso de cada dia . Partindo desse pressuposto a espiritualidade que Jesus deseja de todos nós não é intimista, legalista e fria, mas aberta a uma autêntica experiência de Deus, algo que parta do interior de cada pessoa e marcada pela convicção de uma fé madura, ao mesmo tempo em que nos tornamos testemunhas vivas para um mundo distante e indiferente.

A característica que faz a diferença nesse mundo hodierno é a vivência do amor aos irmãos. Os cristãos devem trazer em seu dia a dia um espírito transformador como Jesus viveu. Fé não se resume em cumprir ordens, normas, leis e sim, vivê-la tornando dinâmica, contagiante e sedutora em prol do Reino de Deus. É bom pensar!

 

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