(Mt 5,13-16) 

O teólogo ortodoxo P. Evdokimov fez uma leitura do Evangelho de Mateus e afirma: “Os cristãos fizeram todo o possível para esterilizar o evangelho, submergindo num líquido neutralizante onde tudo o que impressiona, supera ou inverte é amortecido. A religião é nivelada, prudente e razoável, o ser humano não pode senão vomitá-la”. Esse teólogo aponta para o essencial, ou seja, a Igreja aparece aos seus olhos não como um organismo vivo da presença real de Cristo, mas como uma organização estática. Os cristãos não têm sentido de missão, e a fé cristã “perdeu estranhamente sua qualidade de fermento”. A fé cristã é vista com indiferença, pois perdemos o contato com o Deus vivo de Jesus Cristo, confundindo a verdade de Deus com fórmulas dogmáticas deslocando-se para o exterior e o periférico, quando Deus habita no profundo. É um cristianismo rebaixado e cômodo.

O cristianismo “não é uma doutrina, mas uma vida. E quando a Igreja já não brilha a vida de Jesus, se “converte em espelho fiel do mundo”. Evdokimov segue: “...no fundo falta santidade, fé viva, contato com Deus, faltam santos que escandalizam ao encarnar “o amor louco de Deus”, faltam testemunhas vivas do evangelho de Jesus Cristo. Tudo isso esse teólogo russo quer nos recordar: “Vós sois o sal da terra, mas se o sal perder seu gosto com que se há de salgar”? O teólogo Harvey Cox dizia: “O homem Ocidental “ganhou todo o mundo e perdeu sua alma””.

Comprou a prosperidade a um preço de um vertiginoso empobrecimento, o sem- sentido da vida que parecem ameaçar muitos. A sociedade industrial nos tornou mais produtivos, metódicos e organizados, mas também menos festivos, lúdicos e imaginativos. A obsessão pelo progresso nos fez cair numa “anemia interior” de maneira nova a convivência e a solidão, a alegria e a tristeza, o trabalho e a festa. Somos o “sal” que dá sabor? A fé é sal que nos transforma e contagia o mundo carente de sentido!

 

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