“Convertei-vos” (Mt 4, 12-23) 

Após a prisão de João Batista, Jesus entra na vida pública. Apaga-se a voz do Batista e começa-se a escutar a nova voz de Jesus. Desaparece a paisagem seca e sombria do deserto e ocupa o verdor e a beleza da Galiléia. Jesus abandona Nazaré e vai para Cafarnaum. Tudo sugere o aparecimento de uma vida nova. Mateus, inspirado num texto de Isaías vê que “o povo está nas trevas”. Sobre a terra “há escuridão de morte”. Reina a injustiça e o mal. A vida não pode crescer. As coisas não são como Deus quer. Por outro lado, o povo vai começar a ver “uma grande luz”. Entre a escuridão de morte “começa a brilhar uma luz”. Jesus é sempre isso: uma grande luz que brilha no mundo. A primeira palavra que devemos escutar: “Convertei-vos”.

Não devemos convertê-la em doutrina teórica, nem numa teologia fria. Se a luz de Jesus se apaga nos converteremos em “cegos guias de cegos”. Deus não é um ser indiferente e longínquo que vive no seu mundo, só interessado em honras e seus direitos. É alguém que busca o melhor para todos, embora Ele espere de suas criaturas a colaboração para conduzir o mundo à sua plenitude. Vejamos: 1. A compaixão deve ser sempre o princípio de atuação para os que sofrem. “Sede compassivos como vosso Pai”. Não bastam belas palavras que falam de justiça, igualdade ou democracia, pois sem a compaixão para com os últimos não somos nada. 2. A dignidade dos últimos deve ser a primeira meta: “Os últimos serão os primeiros”.

É preciso imprimir na história nova direção à cultura, à economia e nas democracias. As igrejas ter em vista os que não podem viver de maneira digna. 3. Deve ser impulsionado um processo de cura que liberte a humanidade do que a destrói e degrada. “Ide e Curai”. A conversão que Jesus fala não é algo forçado. É uma mudança que vai crescendo em nós à medida que vamos tomando consciência de que Deus é alguém que quer nossa vida mais feliz e humana.  É bom pensar!

 

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