(Lc.18,1-8) 

Com a parábola da pobre viúva, vítima de injustiça, Jesus ensinou seus discípulos a orar sem esmorecer. A oração incessante, porém, é própria de quem tem um coração de pobre. A personagem central da parábola é uma pessoa triplamente marginalizada: por ser mulher, pobre, viúva e privada de um esposo que a protegesse. Portanto sem apoio social algum.

Na Tradição Bíblica as viúvas são junto com os órfãos e os estrangeiros o símbolo das pessoas mais indefesas. Os mais pobres entre os pobres. A parábola contém uma mensagem de confiança. Os pobres não são abandonados à própria sorte. Deus não é surdo aos seus clamores. Eles podem ter esperança. Precisamos confiar, precisamos invocar a Deus de maneira incessante e sem desanimar. A parábola nos interpela a todos nós.

Precisamos tomar cuidado para que não continuemos alimentando devoções privadas e esquecendo os que vivem sofrendo. Será que continuamos orando a Deus para pô-lo ao serviço de nossos interesses, sem nos importarmos muito com as injustiças que há no mundo? Lucas apresenta o relato como uma exortação a orar sem desanimar. O juiz em questão é a “antimetáfora” de Deus, cuja justiça consiste precisamente em escutar os pobres mais vulneráveis. As democracias modernas preocupam-se com os pobres, mas o centro de sua atenção não é o indefeso, e sim o cidadão em geral. É um equívoco conseguirmos o que pedimos a Deus.

A oração cristã é “eficaz” porque nos faz viver com fé e confiança no Pai e em atitude solidária com os irmãos. Aquele que aprende a dialogar com Deus e a invocá-lo sem desanimar como nos diz Jesus, vai descobrindo onde está a verdadeira eficácia da oração e rezar.  Jesus morreu experimentando o abandono de Deus, mas confiando sua vida ao Pai. Nunca devemos esquecer seus dois gritos: “Meu Deus porque me abandonaste?. E, “Pai em tuas mãos entrego meu espírito”. Nunca esqueçamos que a oração insistente suscita e defende a justiça. É bom pensar?

 

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