(Lc. 17,11-19) 

Houve quem dissesse que a gratidão está desaparecendo da paisagem da vida moderna. O ensaísta José Antônio Marina recordava que a passagem de Nietzsche, Freud e Marx nos deixou submersos numa “cultura da suspeita” que torna difícil o agradecimento. Desconfia-se do gesto realizado por pura generosidade.

De acordo com esse professor “tornou-se dogma de fé que ninguém da nada de graça e que toda intenção boa oculta uma impostura”. É fácil então considerar a gratidão como “um sentimento de bobos, de equivocados ou de escravos”. Em nossa “civilização mercantilista” há cada vez menos lugar para o gratuito. Tudo se troca, se empresta se deve ou se exige. Nesse clima social a gratidão desaparece. Algo semelhante pode acontecer na relação com Deus se a religião se transforma numa espécie de contrato com Ele.

Eu cumpro o que está estipulado e tu me recompensas. Desaparecem assim a experiência religiosa, o louvor e a ação de graças a Deus, fonte e origem de todo o bem. Recuperar a gratidão pode ser o primeiro passo para sanar sua relação com Deus. Este louvor agradecido não consiste primariamente em tributar-lhe elogios nem enumerar  os dons recebidos. A primeira coisa é captar a grandeza de Deus e sua insondável bondade. Intuir que só se pode viver diante dele dando graças. O louvor a Deus é a manifestação de vida sadia e acertada.

Quem não é capaz de louvar tem ainda algo de enfermo em seu interior. Um dos maiores pecados dos cristãos é a falta de louvor e de ação de graças. Bernhard Häring dizia o seguinte: “A Igreja será cada vez mais uma Igreja curadora quando for uma Igreja mais glorificadora e eucarística, é o caminho da salvação: sempre e em toda ocasião é digno e justo dar graças a Deus e louvá-lo”. É bom pensar!

 

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