(Lc 16, 1-13)

Na sociedade de Jesus a desigualdade entre ricos e pobres era absoluta. A  maioria não tinha terras, nem trabalho fixo. Jesus fala duramente do “dinheiro injusto” ou “riquezas injustas” referindo-se aos ricos. Eles podiam acumular dinheiro e se beneficiar, enquanto a maioria vivia desprovida de tudo. É lógico que as palavras de Jesus não foram bem acolhidas.

Embora a tradição bíblica afirmasse que: “...riqueza era sinal de bênção, no entanto não é evangélica”. Muitos ainda hoje pensam que seu êxito econômico e sua prosperidade são o melhor sinal de que Deus aprova sua vida. Jesus afirma que é contraditório e duramente afirma: “Ninguém pode servir a dois senhores, pois (...) se dedicará a um e não fará caso do outro”. Algo está errado ao querer viver o impossível: o culto a Deus e o culto ao bem-estar. “O Evangelho não denuncia tanto a origem imoral das riquezas conseguidas de maneira injusta quanto o poder que o dinheiro tem de desumanizar a pessoa, separando-a do Deus vivo”. (PAGOLA, 2012).

E a razão é simples: O coração do indivíduo que caiu na armadilha do dinheiro se endurece e não há lugar para Deus. Essa é uma realidade muito atual, pois muitos fazem do dinheiro o “absoluto” da existência. “É impossível ser fiel a um Deus que é Pai de todos e ao mesmo tempo viver escravo do dinheiro e do próprio interesse; só há uma maneira de viver como “filho” de Deus: viver como “irmão” dos outros; aquele que vive só a serviço de seu dinheiro e de seus interesses não ocupar-se de seus irmãos e não, pode, portanto, ser filho fiel de Deus”. (PAGOLA, 2012).

E segue: “Aquele que vive dominado pelo interesse econômico, embora viva uma vida piedosa e reta, carece de algo essencial para ser cristão: romper a escravidão do “possuir” que lhe tira a liberdade, para ouvir melhor as necessidades dos pobres e responder a elas”. Precisamos pensar melhor em nossos pressupostos!

 

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