A Igreja não anuncia uma ética social, mas é ela mesma uma alternativa de verdade e de paz 

O desafio da Igreja no seguimento de Jesus é ser para o mundo um modo diferente de viver as diferenças em se tratando de uma espiritualidade cristã. Nesse “modus vivendi” deve sempre ser destacada a obrigação fundamental da Igreja de Cristo, ou seja, a rejeição a toda a guerra, às injustiças, a exploração, a corrupção pela objeção de consciência. Como comunhão de pessoas que forma a Igreja através dos ensinamentos de Cristo, a mesma deve se distinguir pela inserção nos problemas que afligem a sociedade, embora um dos elementos que precisa transparecer que é pela santidade e o agir de todos os seus membros.

Embora a Igreja sempre seja santa e pecadora no tempo/espaço. Moltmann em sua “Teologia da Esperança” nos adverte para que nosso olhar ao futuro seja sempre à luz da Ressurreição de Cristo. O diferencial do agir cristão não deve estar apenas nas organizações humanitárias, e sim na santidade. A espiritualidade do testemunho é algo que transforma e a completude vem através da ação concreta na história. Não são apenas rituais vazios, mas a praticidade do dia-a-dia da vida é que pode mudar o rumo da realidade. Portanto: “Uma ética da esperança vê o futuro à luz da ressurreição de Cristo. A razão que a pressupõe e utiliza é o conhecimento transformador. Ela conduz a agir transformador para, segundo as possibilidades e as forças, antecipar a nova criação de todas as coisas que Deus prometeu e Cristo colocou em vigor.

A libertação dos oprimidos, o soerguimento dos humilhados, a cura dos doentes e a justiça dos pobres que são seus motes conhecidos e praticáveis”. (MOLTMAN, 2012). Uma conduta nossa a partir do discipulado de Cristo nos mostra que: “A ética cristã não é uma responsabilidade adaptada ao mundo nem uma fuga separatista do mundo, mas uma orientação para a transformação do mundo”. (ibidem). Espiritualidade cristã necessita de coerência entre o crer e a vida prática. 

 

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