Eu quero misericórdia e não os sacrifícios”. (Os 6,6) 

Neste “Ano da Misericórdia” todo o cristão, mormente os católicos e homens e mulheres de boa vontade, são convidados a fazer uma mudança de comportamento no que toca a espiritualidade na ótica de Jesus. Isso significa que Jesus coloca como prioridade não as regras e leis, e, sim a prática da misericórdia, o perdão e a conversão como fator primordial na conduta de cada cristão. Dentro da missão de Jesus a “misericórdia” se revela como algo fundamental.

De nada adianta estar em sintonia com as regras e leis, se na interioridade se vive distante daquilo que é essencial. Um exemplo claro que aparece no NT é a figura de Paulo. Ele era fiel aos preceitos da lei recebido dos seus pais e antepassados. No entanto no caminho a Damasco houve uma mudança brusca ao ser interpelado por Cristo (Fl 3,6), fato este que levou Paulo a inverter a visão que possuía. “Também nós acreditamos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei”. (2,16). “A sua compreensão da justiça muda radicalmente: Paulo agora põe em primeiro lugar a fé, e não a lei.

Não é a observância da lei que salva, mas a fé em Jesus Cristo que, pela sua morte e ressurreição, traz a salvação com a misericórdia que justifica”. (Misericordiae Vultus= O rosto da misericórdia, 20). E segue: “A justiça de Deus torna-se agora a libertação para quantos estão oprimidos pela escravidão do pecado e todas as suas consequências. A justiça de Deus é o seu perdão”.

Santo Agostinho ao comentar o profeta Oséias frisa que “...a ira de Deus dura um instante, ao passo que a sua misericórdia é eterna”. Portanto: “Se Deus Se detivesse na justiça, deixaria de ser Deus; seria como todos os homens que clamam pelo respeito da lei; a justiça por si só não é suficiente, e a experiência mostra que, limitando-se apelar para ela, corre-se o risco de destruí-la”. (ibidem, 21). A justiça de Deus é concedida como graça pelo mistério Pascal. É bom pensar!

 

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