“Tu és o meu Filho amado; em ti está o meu agrado”. (Lc.3,21) 

Festa do Batismo do Senhor 

Jesus a partir do seu batismo se torna público e claramente o Filho amado do Pai, por ele gerado desde toda a eternidade. Muitos cristãos em nossa sociedade ainda vivem na religião do Batista. Foram batizados na “água”, mas não conhecem o batismo do “Espírito”. É necessário nos deixar transformar pelo Espírito que desce sobre Jesus. Na antiguidade, os adopcionistas afirmavam que Jesus era um simples homem, que foi adotado por Deus como Filho no dia do batismo de João, e a partir de então se tornou o Messias Salvador. Jesus não começou a ser o Filho amado do Pai no batismo, porque já era. “O que estava oculto, agora se manifesta publicamente [...] o Verbo, que é Deus, se fez carne no seio da Virgem Maria por obra do Espírito Santo [...] o Filho de Maria que dá à luz é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e não um homem deificado”.  

A preocupação não é o juízo iminente de Deus. “É o momento de acolher um Deus Pai que procura fazer da humanidade uma família mais justa e fraterna; quem não vive a partir desta perspectiva não conhece ainda o que é ser cristão”. PAGOLA, 2012). Karl Rahner afirma: “O homem religioso de amanhã será um místico ou não poderá ser religioso, porque a religiosidade de amanhã já não será compartilhada na base de uma convicção pública e óbvia”.

Em breve não será possível a religião sem experiência pessoal de Deus. “Até pouco tempo, o indivíduo nascia numa religião como nascia numa cultura, num povo bastava não romper com ela para ser considerado “membro” dessa religião”. (H.U.von Balthasar).

A crise religiosa de hoje se torna cada vez mais difícil essa realidade. Não basta pertencer passivamente a uma igreja por tradição, herança cultural ou um costume social. É preciso experienciar no íntimo do coração. Von Balthazar diz: “No futuro, a pessoa de fé, terá que fazer sua própria experiência e descobrir que traz em seu coração “um mistério maior que ele mesmo””.

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