Banhando a araucária. O jardineiro avisa: não deixa teu carro debaixo da árvore porque esta cheia de pinhas, este ano vai ter pinhão a vontade. Crédito: Tela Tomazeli

 

     
Marcelo Rubens Paiva

Apresento dona Gilda. Trabalha aqui comigo e apareceu hoje com essa camiseta, que leva à reflexão: O MUNDO É DE QUEM FAZ.

Lembra a letra de FUGAZ, de Marina Lima: “Meu mundo é você quem faz…” Lembra o pré-socrático Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas”.

Lembra os comentários polêmicos, alguns intolerantes, que são postados neste blog.

Tal conceito introduziu o relativismo no pensamento ocidental, inspirou Platão e redefiniu a filosofia. Veio Kant, que propôs que existem verdades absolutas e universais. Nossa imagem de mundo é imposta pelo espírito humano, e como somos iguais na maioria dos aspectos, as verdades são as mesmas para cada um, escreveu.

Sócrates propunha o seguinte dilema. Um vento pode ser frio para alguns. E o mesmo vento pode ser refrescante para outros. Portanto, o mesmo vento tem dois significados. Todas as imagens do mundo refletem no repertório pessoal de cada um, e nenhuma é mais verdadeira do que outra. É o indivíduo quem decide a medida do vento.

“Eu não me aventuro a negar que os loucos e os sonhadores acreditam no que é falso, quando os loucos imaginam que são deuses, e os sonhadores pensam que têm asas e voam em seus sonhos. Se o que parece a cada homem é verdade para ele, um homem não pode ser mais sábio do que outro”, teria dito Sócrates. Portanto, sabedoria não existe?

O que é certo ou errado depende de cada grupo, de cada período da história. Já foi certo para alguns comerem carne humana, escravizar. É errado matar.

É certo guerrear?

É certo condenar o que é errado em outra cultura? Alguma cultura é superior a outras? Relativismo está em toda parte.

A tese do relativismo deixou de abordar cada indivíduo e passou a ser de cada grupo social, ou cidade, ou Estado. É a comunidade em que vive que decidiu o que é certo ou errado para esse grupo. E através da maioria se decide fazer justiça e decretar o que é verdade.

Há uma variedade imensa de crenças morais. A verdade é escolhida, não é absoluta, dependendo da conveniência de cada comunidade, para garantir a sua preservação. As leis da natureza são necessárias, as dos homens são fortuitas, diziam os sofistas.

Alguns queimam mortos, outros enterram. Em alguns países, o aborto é permitido, a eutanásia é consentida, o casamento gay é liberato, em outros, crime. Países liberaram a maconha e até o plantio para uso próprio. Em outros, é condenável. A prostituição existe. Há quem condene, e há quem sindicalize.

Pessoas acham normal frequentarem boates de prostituição, outras condenam. E é por isso que nesse blog os comentários divergem e são aceitos e publicados pelo mediador. Por respeito à divergência e tolerância. Como dizia o meu pai, “posso não concordar com suas palavras, mas garantirei até a morte o seu direito de dizer.” Fonte: http://cultura.estadao.com.br/blogs/marcelo-rubens-paiva/certo-e-errado/
 

 

Crédito: Tela Tomazeli