O calor - Existem vários motivos para fazer isso, eu particularmente passaria a vida caminhando, ao nascer e ao deitar do sol. Quando ele fica ‘ignorante’, como diz uma amiga peregrina, a situação vira caso de justiça, ele normalmente ganha a causa, a menos que no caminho tenham universitários, o que no caso das Missões é um achado. Muito mais para deserto de soja e milho com cobertura de pó de chocolate do que árvores frondosas. Certa manhã, por volta de 10h30, o percurso era de 32 km, eu estava desesperada e avistei um oásis verde, corri até sua sombra, talvez 1km, não sei, só lembro das feições do nativo e da guia olhando meu corpo translouco no estradão e lembrei da música do Raul Seixas, ‘Deus me deu perna comprida e muita malícia, pra correr atrás de bode e fugir da polícia’, no caso, me abrigar em uma sombra...

 

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Iniciei minha jornada no Hotel Laghetto Viverone, Porto Alegre. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Viagei absoluatmente confortável e segura com a Ouro e Prata. Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

A primira vista da Cruz das Missões. Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Na parada para o lanche encontrei esse livro que recomendo. Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Ligada na rede - Sim, mas vamos aos motivos para caminhar ou peregrinar no ponto em questão. Foram 9 dias, 185 km e foi pouco, precisava de mais uns 100km no mínimo para reflexão, esse é o ponto. Costumo dizer que no terceiro dia a gente ‘sai do corpo’ e começa a ver a vida de fora para dentro, é por esse motivo que eu peregrino ou, ‘pelegrino’, como dizem os nativos. A diferença dessa vez foi que, mesmo tendo saído das redes sociais e elegido um amigo (haja ouvido), para ser meu diário, meu facebook e insta, a conexão era muito boa em praticamente todo percurso, Gramado ficou na havaiana perto da Missões, dessa forma, não usava as redes, mas o WhatsApp não sossegou, Pedro Augusto reclamou: ‘mãe, tu tá usando mais o telefone do que eu que estou na praia’. Isso tira bastante a introspecção.

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Peregrino não reclama, agradece, depende do peregrino - Como diz o livro, sou uma’ peregrina de araque’ e reclamo. Puramor, quando tenho sono, fome, sede, calor e uma sinfonia que toca a noite toda a meu lado fico insuportável (normalmente o grupo divide beliches, que sufoco para pegar uma cama simples. Embaixo do beliche fico claustrofóbica, em cima caio, haja...). Não que seja a amorosidade em pessoa, vamos deixar claro e, por conta disso deixei um costelão bem gaúcho solitário e, me agarrei as barras de cereal. Dia primeiro do ano, nem a lanchonete da esquina estava aberta ao meio dia.

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

A hospitalidade é incrível - Mesa farta e o carboidrato é carro chefe. Sucos, doces, pães, carnes, bolos maravilhosos, café passado na simplicidade dos anfitriões que, em boa parte da caminhada acordaram antes do galo (quebrando protocolo) para colocar a mesa e podermos iniciar o percurso antes do dia raiar para evitar o calor. Após ao meio dia tentávamos aguardar por uma hora e sair, mas era peleado e, no meu caso, passei mal algumas vezes pela ‘ignorância’ do calor e tentava andar pelo revesgueio de sombras, sim porque muitas não eram maiores do que um pelo do meu cílio. Quando avistava Figueiras, como são maravilhosas e gulosas, o poder de suas raízes é uma imagem do castigo de Deus, que engole os pecadores (isso é por minha conta), sua sombra é a Benção, tu escolhes o caminho. Eu focava na raiz e corria para a sombra, me auto julgando.

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

A educação que vem da base - Revivi a época do Monza, da Variant, do primeiro Fiat... donos da educação no caminho, saudação e velocidade reduzida, diminuindo o consumo de chocolate em pó do peregrino. Já as 4x4, que funcionam até para táxi, com seus óculos pretos, aceleram na humilhação do caminhante, sem marshmello. Desses, os tratores entram nas lavouras de manso e, de repente começam a abrir suas asas, como se fossem brinquedos ou filmes do Mad Max e, surpreendentemente de suas garras jorram ‘água’, como é tratado o produto aplicado, com auxílio de pequenos aviões, o nariz inala ao longo do caminho, ao que alguém diz: ‘olha está cheio de libélulas, dizem que se tem libélulas não faz mal’, vai saber, o Agro é pop, diz a TV...

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

A convivência -  Bah, eu sou xucra por natureza e ruim de cabresto. Nunca fui de muito papo, engatava uma primeira e seguia, conversando comigo mesma o tempo todo e, no caso com meu amigo diário/rede social (obrigado querido, te amo, tu foste forte e parceiro, sabes mais de mim que eu mesma). Mas, isso não impediu de criar afinidades, as vezes eu até tentava ser educada, juro que tentava, me inseria no grupo na hora das refeições, caminhava por uns 3 minutos junto (rsrsrrs) e, até dava umas risadas, a melhor foi depois da cachaça na parada para almoço no sítio do seu João e dona Marli, que almoço espetacular!!!!! E, chuva o dia todo, benção pedida e atendida! Aliás, de benção saímos todos com doutorado, não teve benzedeira e água benta que não frequentamos, entrando até duas vezes na fila.

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

O resultado final – Creio que preciso de mais umas tantas, até porque o caminho é algo absolutamente valoroso, mas, por certo, voltei melhor do que fui e, inquieta como sou, sabendo que não estou nesta vida apenas de passagem, muito mais tenho que andar...Os vácuos da existência estão e serão, um por um preenchidos, não por teimosia ou prepotência mas, pela paz e harmonia de meu corpo e minha alma.

A palavra é obrigada a tudo e a todos!

MarisTela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Divulgação/Maria Aparecida Moreira Borgo

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Benzeduras no último dia do ano nas Ruínas de São Miguel das Missões. Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Preparação para missa com o Bispo, na igreja em ruínas. Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Celebração. Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Celebração com fogos na passagem do ano. Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Igreja em ruínas. Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Divulgação/Stela

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Divulgação/Cassiano D'Almeida

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli

 

Missões/RS. Crédito: Tela Tomazeli